terça-feira, 24 de novembro de 2009

Chega a 847 militares americanos mortos no Afeganistão


Do Prensa Latina


Kabul, (Prensa Latina) A morte de quatro soldados estadunidenses da OTAN em atentados e um combate elevou nesta segunda para 847 os falecidos dessa nacionalidade desde que invadiram o Afeganistão em outubro do 2001.

Também, com estas quatro baixas ascendem a 297 o número de militares do Pentágono mortos em 2009, no ano mais mortífero dos oito de ocupação desta nação islâmica centro-asiática.

Ao todo, as vítimas fatais dos expedicionários dos Estados Unidos e da OTAN somaram 481 a partir de janeiro do atual ano, de acordo com o portal Internet especializado www.icasualties.org. Essa fonte registrou 295 soldados estrangeiros em 2008.

Segundo porta-vozes da Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), comandada pela OTAN, três soldados estadunidenses morreram no domingo pela explosão de um artefato dinamiteiro no território do sul.

O outro perdeu a vida na segunda-feira durante um ataque da insurgência afegã.

Esse comunicado militar omite os nomes dos mortos e os lugares onde se desenvolveram essas ações.

Este país é palco de um aumento das ações combativas da insurreição afegã, pese à presença de 110 mil soldados estrangeiros ocupantes, dos quais cerca de 68 mil são estadunidenses.

Outras fontes noticiaram que ao menos cinco membros das forças de controle de fronteiras perderam a vida após uma bomba ter explodido na passagem de seu veículo na conflituosa província de Kandahar, no sul.

O Ministério afegão do Interior detalhou a meios informativos que ditos agentes viajavam a bordo de uma furgoneta quando foram atacados no distrito de Spin Boldak.

Variante mais poderosa do H1N1 ataca na Grã- Bretanha

Do Blog da Leila Cordeiro

Quando a Organização Mundial da Saúde, OMS, pensou que já havia conseguido driblar o vírus H1N1 da gripe suína, com vacina e medicação específica para combatê-lo, eis que surge agora uma variante dele, muito mais poderosa, resistente ao medicamento Tamiflu. Tres dos cinco primeiros pacientes que já foram infectados pelo vírus , estão em tratamento no Hospital Universitário de Cardiff, capital do País de Gales e por isso mesmo as autoridades de saúde britânicas estão recomendando que as pessoas tomem a vacina urgentemente.
A disseminação da variante resistente ao remédio está sendo tratada como uma ameaça à saúde pública. Dos pacientes infectados em Cardiff, dois já se recuperaram e receberam alta, um está na UTI e outros dois em isolamento. Os médicos britânicos dizem que a resistência ao medicamento mais popular contra o vírus não significa que não existam tratamentos alternativos para o H1N1 e garantem que o Tamiflu continuará a ser indicado para a maioria das pessoas infectadas pela Gripe Suína. Atualmente 46 pessoas estão sendo tratadas por causa da gripe em hospitais do País de Gales. Já foram registradas 21 mortes por causa do vírus na região. Em todo o mundo, o número de infectados pela doença já passou de 715 mil, segundo a OMS.

Globo compra direitos de “Lula, o Filho do Brasil”

Do blog do Nassif

“Globo compra direitos de ‘Lula, o Filho do Brasil’

Rápida no gatilho, a TV Globo correu e comprou os direitos de exibição exclusivos do longa Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto.

O filme, que é uma espécie de cinebiografia autorizada da vida do atual Presidente Lula, acabou de ser lançado no Festival de Cinema de Brasília.

Segundo a coluna Retratos da Vida, do jornal Extra, por conta das eleições do ano que vem o filme só deverá ser exibido na TV no começo de 2011, depois das eleições presidenciais.”

Serra tem 32%, e Dilma, 22%, afirma pesquisa CNT/Sensus

Da Folha de S. Paulo

Pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem mostra que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera a disputa pela Presidência com 31,8% das intenções de voto naquele que hoje é considerado um dos cenários mais prováveis. A pré-candidata do PT, ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), aparece em segundo, com 21,7%.
O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) tem 17,5% e é seguido pela senadora Marina Silva (PV), com 5,9%.Numa eventual disputa em segundo turno, Dilma venceria apenas no confronto direto com Aécio Neves.
A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 20 de novembro, em 24 Estados. Foram ouvidas 2.000 pessoas e a margem de erro é de três pontos percentuais.
O cenário com Serra, Dilma, Ciro e Marina não foi avaliado na sondagem anterior, feita em setembro. Apesar disso, o presidente da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), Clésio Andrade, disse que Serra caiu, em média, 15 pontos desde o ano passado, quando cenários distintos registraram índices acima de 40% de apoio ao governador.
Andrade afirmou que não se mostrava "constrangido" em apresentar a pesquisa mesmo sendo aliado do governador de Minas, Aécio Neves, que disputa com Serra no PSDB a candidatura.
Andrade foi vice de Aécio entre 2003 e 2006.
A pesquisa avaliou também a aprovação ao governo Lula. Ela passou de 65,4%, em setembro, para 70%.Já a avaliação do presidente se manteve dentro da margem de erro. Em setembro, Lula foi avaliado positivamente por 76,8% da população, índice que ficou em 78,9% em novembro.

Ciro Gomes tira votos de José Serra, diz pesquisa

Do Estado de S. Paulo

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seria o principal prejudicado pela eventual entrada de Ciro Gomes (PSB) na corrida pela Presidência, segundo revela a pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem.
No cenário em que disputa apenas com Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), Serra lidera com 17 pontos porcentuais a mais que a pré-candidata apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (40,5% a 23,5%). Com a inclusão de Ciro na lista, a vantagem do tucano sobre a petista cai para 10 pontos (31,8% a 21,7%). O pré-candidato do PSB fica em 3º lugar, com 17,5% das intenções de voto, à frente de Marina, com 5,9%.
Na semana passada, o PSDB exibiu na TV peças de propaganda que relacionavam Dilma ao apagão que, no dia 10, atingiu 18 Estados. A pesquisa, porém, não traz indícios de que o incidente tenha afetado o quadro eleitoral. A taxa de rejeição à petista caiu de 37,6% para 34,4% e seu desempenho melhorou nos cenários em que é possível fazer comparações com a pesquisa anterior, feita em setembro.
No confronto direto com Serra, em eventual segundo turno, Dilma continua atrás, mas sua desvantagem caiu de 25 para 18,6 pontos em dois meses.
O governador de Minas, Aécio Neves, que disputa com Serra a chance de se candidatar pelo PSDB, tem desempenho mais fraco que o de seu rival. Ficaria em terceiro lugar, com 14,7%, em um cenário com Ciro (25%), Dilma (21,3%) e Marina (7,3%). Em um eventual segundo turno com a petista, Aécio perderia por 36,6% a 27,9%.
TRANSFERÊNCIA DE VOTOS
Em meio ao debate sobre a capacidade de Lula de usar sua popularidade para impulsionar Dilma na campanha, a pesquisa revela que 20,1% dos entrevistados votariam no candidato do presidente, 31,6% poderiam votar e 16% não votariam. Outros 27,4% indicaram a opção "só conhecendo o candidato para decidir".
A pesquisa evidencia os motivos que levam o presidente a tentar formatar uma campanha "plebiscitária", centrada na comparação entre as gestões do PT e do PSDB. Para 76%, o governo Lula é melhor que o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Apenas 3% disseram que votariam com certeza em um candidato apoiado por FHC, e 49,3% não votariam de jeito nenhum.
Depois de cair entre maio e setembro, a avaliação positiva do governo voltou a subir na última pesquisa. Para 70%, a gestão é ótima ou boa - há dois meses, o índice era de 65,4%. Já a aprovação ao desempenho pessoal do presidente Lula oscilou de 76,8% para 78,9%.
A evolução dos índices se dá em ambiente de crescente satisfação com o quadro econômico. Para 45,8% dos entrevistados, a situação do emprego melhorou nos seis meses anteriores. Em setembro, 36,5% tinham essa percepção. Para 32,4%, a renda aumentou - há dois meses, 28,2% deram essa resposta.
A parcela que acredita em melhora na situação do emprego nos próximos seis meses subiu de 59,6% para 62,9%. Os que creem em aumento da renda passaram de 56,6% para 61,6%. Nada menos que 73,4% dizem que o ano da eleição presidencial será melhor que o de 2009.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O FILME SOBRE LULA E O PROFUNDO ÓDIO DE CLASSE NO BRASIL

Do Vi o Mundo

Por Luiz Carlos Azenha

"Francamente, acho estranho que um filme sobre a vida de um presidente da República consiga atrair tanto esculacho: "é dramalhão, é tosco, é ruim". Tudo indica que eu não vá ver, por não ter paciência com o tema. Mas começo a gostar do filme pelos críticos que ele atraiu!Lula, o Filho do Brasil é ficção roliudiana, se entendi bem. Apenas um filme. Qualquer semelhança com personagens da vida real é mera coincidência. Mas toca colocar repórter para investigar a relação de gente remotamente ligada ao filme e o governo.
Logo vão descobrir algum carrinho de pipoca em que o pipoqueiro vende maconha e vão culpar o filme por isso. Vão dizer que Lula, o Filho do Brasil incentiva o tráfico de drogas. Que incentiva o subperonismo. Que provoca lavagem cerebral. Que incentiva a caspa e o chulé.
Eu sabia da existência do ódio de classe no Brasil. Mas nunca imaginei que poderia chegar a esse ponto. Eles não só odeiam o Lula. Eles odeiam qualquer coisa que passe perto do Lula.
Não basta dizer que foi tudo sorte, foi tudo por acaso, que os oito anos de Lula foram apenas continuação de FHC, que Lula apenas esquentou a cadeira para José Serra. É preciso matar, salgar e enterrar.
Se os pobres brasileiros odiassem os ricos tanto quanto os ricos odeiam os pobres, o Brasil viveria um banho de sangue. Em não sendo assim, ficamos restritos a este espetáculo de manifestações explícitas e implícitas de preconceito de classe.
O filme pode até ser ficção grotesca. Mas provocou algo mais grotesco ainda, por ser real e revelador. Essa gente precisa, urgentemente, de um divã."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mundo terá mais 20 milhões de desempregados neste ano

Do Portal Vermelho

O FMI e o Banco Mundial (Bird) prevêem que a crise vai deixar mais 20 milhões de pessoas desempregadas até 2009. O desemprego urbano na América Latina e Caribe já chegou a 8,5%, no segundo trimestre de 2009, e pode fechar o ano nesse nível, segundo projeção da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT).No país desenvolvidos, o desemprego médio deve passar de 8,2%, em 2009, para 9,3%, em 2010, segundo o FMI. Em 2007 era de 5,4% chegando a 5,8%, ano passado. Nos EUA, em outubro o desemprego chegou a dois dígitos (10,2%), o maior nível desde abril de 1983, enquanto as projeções para a Zona do Euro indicam que o desemprego fechará 2009 na casa dos 11,7%. O economista Jardel Leal, do Dieese, observa que os efeitos da crise no mercado de trabalho se mostram mais persistentes nos países mais financeirizados, como Espanha e Reino Unido. E a crise é agravada pelo rompimento dos pactos distributivos: "Na Inglaterra, a financeirização levou, inclusive, a um processo de desindustrialização. O mercado financeiro ganhou uma dimensão muito grande e o país é afetado por tudo o que acontece no mundo." Para Leal, a dúvida é sobre até que ponto as populações dos países desenvolvidos aceitarão taxas elevadas de desemprego. Ele avalia que, sem alternativas, aqueles países devem culpar os imigrantes. "O governo entra para defender os bancos, mas a população não vai ficar esperando que a economia melhore. Vai exigir uma política de recuperação do mercado de trabalho e da renda", alertou, acrescentando que, se as crises que sucederam à de 1929 geraram o pacto social democrata, hoje não se cogita isso naqueles países, "pois as bases políticas para o pleno emprego foram desmontadas com a crise do Estado de bem- estar social", resume.

Na pré-estreia sem Lula, vaias e confusão

Do Jornal do Brasil

Todos sabiam que seria uma noite concorrida. E até tumultuada. Mas a confusão que tomou conta do Teatro Nacional Claudio Santoro, anteintem à noite, antes da exibição de Lula, o filho do Brasil, novo filme de Fábio Barreto que abriu, numa sessão não competitiva, a 42ª edição do Festival de Cinema de Brasília, surpreendeu. Os problemas começaram no momento em que a plateia de convidados se avolumou na porta de entrada do auditório e precisou esperar alguns minutos até ser liberada para passar por um espaço estreito. Em pouco tempo, o teatro ficou superlotado, com espectadores sentados nas escadas.
Quando os apresentadores deram início à cerimônia de abertura, a primeira saia justa da noite: um pequeno grupo de manifestantes subiu ao palco e estendeu uma faixa com a frase “Lula, liberte Cesare!”, em referência ao ex-ativista italiano Cesare Battisti, que teve sua extradição liberada quarta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e agora depende apenas da decisão do presidente. Em seguida, Luiz Carlos e Fábio Barreto foram chamados para apresentar o longa, que tem estreia comercial marcada para o dia 1º de janeiro.
Ao pegar o microfone, Luiz Carlos Barreto pediu que os espectadores sentados nas escadas se retirassem.
– Quero fazer um aviso. Do jeito que estamos dispostos nessa sala, com pessoas acomodadas nas escadas e nos corredores e sem a presença de bombeiros, qualquer coisa que aconteça representará perigo de vida – disse o produtor, vaiado pela maior parte do público.
Na sequência, Fábio causou mais mal estar.
– A equipe do filme está sem ter onde sentar porque a organização do festival não guardou lugar. Quero pedir que pelo menos 30 pessoas se levantem – sugeriu Fabio, que recebeu mais vaias.
Diante da reação contundente do público, a produtora Paula Barreto procurou acalmar os ânimos gerais e fazer com que a projeção começasse logo.
Na manhã de quarta-feira, durante a coletiva de imprensa, pai e filho voltaram atrás em suas críticas à organização do festival.

Decisão do STF de dar palavra final a Lula sobre extradição de Battisti foi polêmica

Do Jornal de Brasília

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de deixar a palavra final à Presidência da República sobre a extradição de Cesare Battisti, apesar de ter autorizado a expulsão, foi polêmica. O STF entendeu por cinco votos a quatro que Luiz Inácio Lula da Silva não precisa seguir a decisão da Corte em casos de extradição.
Votaram a favor de delegar a decisão ao presidente os ministros Carlos Ayres Britto, Cármem Lúcia, Eros Grau, Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa. Foram votos vencidos Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes e e Ellen Gracie que também votou pelo deferimento do pedido de extradição feito pelo governo da Itália.
O debate ficou mais intenso na fase de proclamação do resultado. Os ministros passaram a discutir se o voto de Eros Grau era a favor ou contra a decisão do presidente. Até serem interrompidos pelo próprio Eros Grau.
“Acho que a pessoa mais indicada pera dizer o que eu disse sou eu. Vou resumir meu voto para que depois não haja embargo de declaração. Eu voto com os quatro ministros que não vincularam a decisão do presidente a decisão do Supremo de extraditar”, disse Eros Grau.
A discussão em Plenário continou até que Eros Grau precisou ser mais enfático. “Para ser claro, eu voto como votou o ministro Ayres Brito, Cármem Lúcia, Marco Aurélio e Joaquim Barbosa. Eu explicaria meu voto caso houvesse disposição em ouvir. Mas vejo que não há dada a paixão que tem presidido o julgamento desse caso”, declarou.
O voto do ministro Carlos Ayres Brito foi decisivo no julgamento que também deferiu o pedido de extradição feito pelo governo da Itália. “É o presidente da República quem dá a última palavra em processo de extradição”, disse Brito.
Depois de votar a favor da extradição de Battisti, Mendes ainda destacou a decisão do presidente certamente estaria vinculada com à decisão tomada pelo Supremo. Em decisão anterior, a ministra Cármem Lúcia ao relatar em 2008 o processo de extradição do chileno Sebastian Andres Ghichard Pauzoca, deixou claro que o presidente da República pode se negar a fazer a extradição mesmo com a autorização do Supremo. Em sua avaliação, nesses casos, o Supremo Tribunal Federal limita-se a analisar a legalidade e a procedência do pedido de extradição. A efetiva entrega do súdito ao Estado requerente fica a critério discricionário do presidente da República”, destacou a ministra na ocasião.
O ministro Joaquim Barbosa, que havia votado formalmente sobre o assunto em sessão anterior, concordou com a ministra e citou essa posição para justificar sua decisão de votar contrário à extradição de Battisti.
Em recente viagem à Itália, o presidente Lula sinalizou que deverá acatar a decisão do STF, caso o tribunal assim determine, mas não disse qual seria sua posição caso o STF remetesse a ele a decisão sobre o caso. “Eu não posso discutir hipóteses de uma coisa que está em julgamento”.

Acordo com Ciro constrange PSDB e irrita petistas

Do Valor Econômico

Além de causar constrangimento entre os tucanos, o acordo de Ciro Gomes (PSB) com Aécio Neves (PSDB), para as eleições de 2010, provocou cobrança e insatisfação no PT. Em conversa na terça-feira, em Belo Horizonte, Ciro reafirmou o compromisso de retirar sua candidatura a presidente, se o nome a ser indicado pelo PSDB for o do governador de Minas Gerais. Na prática, isso significaria o afastamento de Ciro da candidatura oficial do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Ciro já havia manifestado, em julho, a intenção de abrir mão de sua candidatura e apoiar Aécio Neves, na hipótese de o governador vir a ser o candidato do PSDB. À época, a declaração foi tomada apenas como provocação ao governador de São Paulo, José Serra, o mais provável candidato dos tucanos a presidente. Para Aécio, receber novamente Ciro em Belo Horizonte era mais um capítulo da disputa que trava com Serra. Mas a situação de Ciro mudou bastante desde julho passado.
Nesse período, Ciro manteve sua candidatura presidencial, apesar de um apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PSB de apoio à candidatura única dos partidos aliados (Dilma), e transferiu o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, deixando em aberto a possibilidade de concorrer ao governo do Estado. A gestão de Ciro ficou a cargo do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que coordena o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do partido. Em pelo menos duas ocasiões o presidente petista foi acionado para "conter" o deputado cearense.
Na primeira, Ciro exigia uma rápida definição do PT sobre sua eventual candidatura ao governo de São Paulo. Os petistas pediram tempo para aparar as arestas internas esperadas em decorrência do lançamento de um candidato (Ciro) de outro partido (o PSB).
O PT tem outros nomes que podem ser indicados, como o do deputado Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, e de Emídio de Souza, prefeito de Osasco, por exemplo. A ex-prefeita Marta Suplicy também havia defendido a candidatura própria, tendo especificado o nome de Palocci, e precisava ser "conversada" para apoiar a estratégia do presidente Lula para São Paulo.
O tempo passou e o PT não se manifestou, como esperava Ciro. O deputado voltou a exibir sinais de impaciência com o partido, que preferiu então jogar o problema para o presidente Lula. A conversa do presidente com o ex-ministro da Integração Nacional não foi muito diferente.
Fontes do PSB, por outro lado, contam que o flerte de Ciro Gomes tem dois objetivos: jogar para dentro do PSDB, partido ao qual já foi filiado, a fim de demonstrar que Aécio é capaz de reunir mais apoios que o governador José Serra; e o segundo, estabelecer uma cabeça de ponte em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Se conseguir dividir o eleitorado mineiro, Ciro poderia anular a diferença a ser obtida por Serra em São Paulo.
Ao manter Ciro como pré-candidato, o PSB aumenta seu poder de negociação com o partido líder da aliança que atualmente apoia o governo. Também se resguarda em relação à possibilidade de que Dilma Rousseff não viabilize sua candidatura a presidente. O PT esperava resposta melhor da ministra nas pesquisas, devido a ampla exposição a qual foi submetida, após ter recebido alta hospitalar. Ciro, por seu turno, mantém-se à frente ou empatado tecnicamente com Dilma. O governador José Serra, líder nas pesquisas, acha que Ciro é mais candidato a presidente que a governador do Estado.
Entre as declarações que Ciro fez em Belo Horizonte, uma especialmente chamou a atenção dos petistas: a de que Aécio é o candidato que pode "convocar todos os brasileiros decentes, de todos os partidos, como faz em Minas, e celebrar um projeto de país que dê avanço ao que o presidente Lula representou". Para o presidente Lula e o PT, o candidato descrito por Ciro Gomes tem um outro nome. Chama-se Dilma Rousseff. O governador Aécio, depois de ter dado um prazo para o PSDB se definir (15 de janeiro) abandonou o discurso do pós Lula e passou a atacar o governo, na expectativa de melhorar sua posição relativa entre os tucanos.
Ontem, em São Paulo, o governador José Serra evitou comentar a aproximação entre Aécio Neves e Ciro Gomes. Depois de vistoriar obras de ampliação do metrô de São Paulo, Serra negou-se a falar sobre política, mas disse aos jornalistas que eles poderiam fazer perguntas sobre o assunto, se quisessem. Porém, adiantou que não iria responder.
Questionado sobre o encontro de entre Aécio e Ciro, o governador paulista disse que não caberia a ele comentar. "Não tem nenhum comentário. O Aécio tem o direito de ver as pessoas que ele quiser. A mim não cabe comentar", afirmou. (Com agências noticiosas)