sexta-feira, 16 de outubro de 2009

AMARGO REGRESSO - Crise faz brasileiros retornarem ao País

Do JC

Ministério das Relações Exteriores identificou uma mudança no fluxo migratório no último ano, conforme estudo Brasileiros no mundo - estimativas, feito com base em dados de 185 consulados.

Existem 3 milhões de brasileiros espalhados por outros países, segundo estimativa do Ministério das Relações Exteriores. Os Estados Unidos, com cerca de 1,3 milhão de imigrantes nacionais, são principal destino dos brasileiros, seguidos do Paraguai (300 mil) e do Japão (280 mil). Os brasileiros no exterior são responsáveis pela remessa de US$ 7,5 bilhões para o País, de acordo com dado do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) usado pelo Itamaraty. O ministério identificou uma mudança do fluxo migratório no último ano, com muitos brasileiros retornando ao País.
Conforme o embaixador Oto Agripino Maia, subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, a principal explicação para esse fenômeno é a crise econômica, que aumentou o desemprego nos EUA, na Europa e no Japão, lugares onde há grande imigração de brasileiros. "A crise econômica atinge muito particularmente os imigrantes, entre eles os brasileiros. O retorno é considerado por eles o maior fracasso e tende a ser evitado ao máximo", explicou ele.
O diplomata também considera que o crescimento da economia do País é outro fator que influencia o regresso de brasileiros. "Anteriormente, situações de crise no Brasil também foram propulsoras de emigração", afirma.
Citando o Japão como um dos poucos países com estatísticas confiáveis sobre o tema da imigração, Oto Agripino Maia afirmou que o número de brasileiros naquele país caiu de 317 mil para cerca de 280 mil (11,6%).
Diferentemente dos emigrantes para outros países, o Japão tem a peculiaridade de atrair especialmente descendentes de imigrantes japoneses no Brasil - quase a totalidade, informa o Itamaraty.
Os dados utilizados para fazer o levantamento nomeado Brasileiros no mundo - estimativas foram levantados pelos consulados do Brasil em 185 pontos do planeta, com base em documentos oficiais, estatísticas e consultas a associações de brasileiros e igrejas.
Entretanto, o próprio Itamaraty admite que a margem de erro é elevada, pelas dificuldades de obter informações precisas sobre imigração, na maioria irregulares.
Para o ministério, a grande presença brasileira nos EUA se explica pelo fato de o país ter a maior economia do mundo, uma sociedade aberta e ocupações com boa remuneração exigindo baixa qualificação.
Apesar dos cerca de 3 milhões de brasileiros espalhados pelo mundo, só 135 mil votaram nas últimas eleições presidenciais. O governo pretende estimular maior participação desses emigrantes em eleições e estuda ampliar o direito do voto além da disputa presidencial, única ocasião em que se pode votar no exterior.
Entre o fim do século 19 e os anos 1940, o Brasil foi um país receptor de população. A partir dos anos 1980, contudo, passou a ter muito mais emigrantes do que imigrantes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

HUMOR OU OFENSA?

Do Direto da Redação

Por Leila Cordeiro

Semana passada, publiquei no meu Blog declarações da humorista americana Wanda Sykes sobre a escolha do Rio para sede das Olimpíadas de 2016. Numa entrevista a Jay Leno, em seu programa na Rede NBC, Wanda perguntou a ele se o COI já estava considerando “prostituição como esporte”, porque no Rio a competição seria para escolha da “bunda mais bonita”. Bem, assistindo ao programa, como mulher e brasileira, considerei o comentário de extremo mau gosto, eu diria até que foi preconceituoso em relação à cidade onde nasci e cresci. Tudo bem que ela como humorista tenha obrigação de ser engraçada o tempo todo, mas se foi brincadeira ou piada passou dos limites, soou como deboche gratuito, uma ofensa desnecessária.
Mas o que me chamou mais a atenção foi a repercussão do assunto. Recebi dezenas de comentários. Posso arriscar dizer que as críticas se dividiram em meio a meio: uma parte dos leitores se solidarizou com meu protesto, a outra não poupou críticas ao Brasil e a imagem que, segundo eles, nosso país transmite lá fora. Apesar de uma inicativa aqui, outra ali, nosso país ainda é conhecido no exterior como um paraíso do turismo sexual. Nas fotos das praias brasileiras não podem faltar as mulheres quase nuas oferecendo facilidades. Infelizmente, é assim que muitos gringos vêem o Brasil. Mas voltando aos emails, vale destacar que alguns deles culpam a TV brasileira que não deixa de promover a prostituição através dos chamados reality shows, onde vale tudo e intimidades entre os casais são insinuadas sob lençóis ou mostradas abertamente. Outro email culpa os programas de auditório que estão sempre elegendo a musa disso ou daquilo, mais preocupados em revelar os dotes físicos das candidatas do que seu nível de informação e conhecimentos gerais. E por aí vai. Os comentários mostraram que a imagem da nossa cidade é uma preocupação de boa parte da população carioca.
Diante da justificável comemoração nacional, essa grande quantidade de comentários negativos foi uma surpresa pra mim, não que eu viva em outro planeta, acredite em Papai Noel ou no Coelhinho da Páscoa, mas esperava que os leitores do blog fossem ficar mais revoltados diante do que considerei uma ofensa da humorista americana. Mas, pelo visto, a humorista mirou no que viu e acertou no que não viu: a revolta de muitos brasileiros que têm a mesma visão dela. A visão de um país onde a mulher para ser celebridade depende de como aparece em público para ser lembrada e consequentemente contratada para ocupar espaços que, num país sério, jamais poderiam passar nem de perto.
Pois é! Eu que que saí com a bandeira da revolta em punho, protestando contra a grosseria da americana , acabei refletindo melhor sobre as razões dos meus leitores. Enquanto a Wanda Sykes continua por aí, impune, falando o que quer sobre as Olimpíadas no Rio . Quem vai ter peito de desmentir, não é verdade?

Ou Aprendemos a conviver ou...


Do blog do Bourdoukan


Definitivamente é preciso acabar com as fronteiras geográficas. Elas, e somente elas, sobrevivem a separar a humanidade. O fim das fronteiras é o início da evolução humana. Nada, absolutamente nada, justifica a existência desses currais. Não fossem as fronteiras e não haveria a invasão de nações. Fronteiras são a confirmação da segregação, do preconceito e da incompreensão. Fronteiras remetem ao medo do outro. Alguém conhece algo mais contagioso do que o medo?


Fronteiras interessam apenas à indústria bélica, que faz do sangue humano o seu combustível. Fronteiras servem apenas para as guerras. E quem é a principal vítima das guerras? Generais? Banqueiros? Empresários? Nenhum deles. Guerras servem para acabar com o "excedente humano", os excluídos, os trabalhadores e todos aqueles que vivem de sua força de trabalho.


Este maltratado planeta é muito pequeno para ser dividido em fronteiras.


Está tudo errado, a começar pela educação. É nos bancos escolares que começamos a "amar" nosso país. E o que representa esse "amor" senão o "ódio" contra o vizinho? Subliminar, é verdade, mas implantado desde a mais tenra idade e lapidado com o passar dos anos.


Não podemos esquecer que o ser humano é o ponto de partida e de chegada. O ser humano é criador, não pode ser produto e vítima da própria cultura. Viver neste planeta é viver num eterno círculo. Alguém pode imaginar um círculo com fronteiras? Somos escravos de nossos hábitos. Até quando?


Ou aprendemos a conviver ou o Universo não derramará uma lágrima pelo nosso fim.

Nações africanas encabeçam índice mundial da fome


Do Prensa Latina


As nações africanas encabeçam o Índice Mundial da Fome 2009 divulgado hoje pela Organização Mundial contra a Fome e o Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentárias.


A República Democrática do Congo, Burundi, Eritréia, Serra Leoa e Chade são os países com a taxa de famintos mais aguda, ao ter 30 por cento de sua população com graves problemas de desnutrição.


A presidenta da alemã Organização Mundial contra a Fome, Barbel Dieckmann, afirmou que bilhões de pessoas passam fome no mundo, em sua maioria crianças e mulheres, em especial estas últimas por serem as que mais padecem de desnutrição e pobreza.


De acordo com o estudo dessas duas instituições humanitárias 70 por cento dos mil 400 milhões de pobres no mundo são mulheres, e nos lugares onde são mais desfavorecidas a fome é maior.


Esclareceu Dieckmann que onde levam a economia familiar e têm influência e reconhecimento em nível comunal, as mulheres e seus filhos têm uma melhor alimentação, pelo que chamou à comundiade internacional a ter em conta esta circunstância.


A servidora pública convocou o reforço do papel das mulheres, pois é essencial na luta contra a fome e a pobreza. Em 29 nações do mundo, em sua maioria africanas ou asiáticas com uma somente exceção do Haiti, a situação da fome é muito grave e preocupante, ainda que a Ásia mostre desde 1990 alguns avanços na luta contra a desnutrição, aponta o relatório.


De acordo com a Organização Mundial contra a Fome, esse mau é um sério problema na República Dominicana, Panamá, Equador, Peru, El Salvador, Colômbia e Paraguai.


Segundo os cálculos realizados pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO) 642 milhões de pessoas na Ásia, 265 milhões na África e outros 53 milhões de cidadãos da América Latina passam fome.


Também indicam que a Índia, com 230 milhões de desnutridos, encabeça a lista por países.

Al Gore diz que aumento na temperatura global pode ser catastrófico


Do Jornal de Brasília


O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e Prêmio Nobel da Paz de 2007, Al Gore, alertou hoje na Argentina que um aumento mínimo da temperatura global "pode ter consequências catastróficas" para o mundo, que atravessa a "maior" crise ambiental de sua história.


Para reverter esta situação, Gore defendeu a mudança dos combustíveis à base de carbono por "energias renováveis e sustentáveis", além de "incentivar a economia, dando preço ao carbono".


Em uma conversa com empresários na cidade de Tigre, na província de Buenos Aires, o ex-vice-presidente americano disse que a mudança climática afetará a economia global e exortou os países a investirem em energia solar, eólica e geotérmica.


Em sua visita à Argentina, Gore também passará pelas províncias de Mendoza e San Luis, onde fará conferências sobre as consequências da mudança climática.


O político americano lidera a organização The Climate Project, cujo objetivo é capacitar e conscientizar voluntários de entidades civis ao redor do mundo sobre a importância e a gravidade da crise climática atual.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sem honestidade a sociedade não sobrevive


Da Revista Mundo Jovem


“De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. A advertência de Rui Barbosa (1849-1923) parece muito atual, e o risco é o descrédito com a política, as instituições e os valores. Na contramão dessa desconfiança, o professor José Luiz Quadros de Magalhães, propõe um resgate dos valores, como a honestidade, através do diálogo e do cuidado com as escolhas que fazemos na vida.


José Luiz Quadros de Magalhães,professor da PUC-Minas e diretor do Centro de Estudos Estratégicos do Estado (CEEDE).



Mundo Jovem: Existe uma cultura de que a corrupção e a desonestidade são exclusivas dos políticos?


José Luiz Quadros de Magalhães: A mídia, e especialmente a grande mídia, tem vinculado a corrupção com o estado e os políticos. Em primeiro lugar é importante lembrarmos que os vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, prefeitos, governadores e o presidente da república são representantes do povo, escolhidos livremente pelo voto secreto. Precisamos acompanhar o trabalho dos nossos representantes que devem atuar seguindo a nossa vontade e não mais votarmos naqueles que não cumprem corretamente as suas funções.


Em segundo lugar, não existe corrupção sem a presença de dois polos nesta relação criminosa: o corruptor e o corrompido. A grande mídia fala apenas nos corrompidos que seriam, quase que exclusivamente, os políticos. E quem é o outro lado desta relação? Quem paga as campanhas eleitorais para conseguir contratos com o estado posteriormente? Quem se beneficia dos gastos públicos em obras, em fornecimento de bens para a administração pública. Precisamos buscar o outro lado desta relação. A corrupção não ocorre só na política e a política reflete valores presentes em nossa sociedade. Não podemos ficar eternamente colocando a culpa em políticos que nós mesmos escolhemos. A grande mídia que só coloca a culpa nos políticos quer na verdade desmoralizar o estado e a democracia.


A corrupção seria fruto dos valores do mundo atual?


José Luiz Quadros de Magalhães: Realmente, podemos nos perguntar se não seria a sociedade de consumo em que vivemos, onde as pessoas valem pelo que têm e não pelo que são, um fator preponderante nestas condutas? Será que uma sociedade fundada no individualismo, no egoísmo, na competição e na acumulação de bens tem futuro?


A competição e o individualismo, valores saudados como fundamentais em nosso sistema econômico, reflete-se de diversas formas na vida social. Vivemos em uma sociedade da competição permanente: na TV os programas escolhem a melhor música, o melhor cantor, o melhor filme e nós reproduzimos isso no dia-a-dia, quando escolhemos o melhor sanduíche, a melhor pizza, o melhor amigo, o melhor isto e o melhor aquilo. O problema da sociedade do melhor é que nós estamos desaprendendo a viver com a diversidade, com a pluralidade. Por que escolher a melhor música se podemos conhecer muitas músicas boas? Por que escolhermos a melhor pizza se podemos experimentar pizzas diferentes e boas? Por que as coisas não podem ser simplesmente diferentes?


A competição e o egoísmo refletem-se em coisas pequenas do nosso cotidiano: desde o motorista do carro que não dá passagem, ao cara que fura a fila do cinema, o comportamento predominante é o “tenho que me dar bem e o outro que se dane”. É claro que uma sociedade fundada nestes valores não pode ter futuro. Isso pode virar uma guerra de todos contra todos. Precisamos resgatar a solidariedade e a noção de comunidade como valores sociais fundamentais. A solidariedade pode acabar com a corrupção, fruto da cultura do “se dar bem” a qualquer custo.

Brasil, Argentina & China

Do Via Política
Por Milton Lourenço
Em 2008, a Argentina foi o segundo maior parceiro do Brasil, logo depois dos Estados Unidos, com uma corrente de comércio que acumulou a cifra recorde de quase US$ 31 bilhões, valor que representou uma expansão de quase 25% de 2007 para 2008. Mas, em pouco mais de seis meses, tudo isso está indo por água abaixo, com as exportações brasileiras para a Argentina perdendo, de maneira acelerada, espaço para os produtos chineses.
Só no primeiro trimestre deste ano a retração foi de 39%, enquanto a China não pára de ampliar sua participação, em detrimento das vendas brasileiras, especialmente nos setores de papel, calçados, produtos farmacêuticos, instrumentos fotográficos, óticos, médicos e musicais, brinquedos e acessórios de vestuário. No caso de têxteis e vestuário, por exemplo, o Brasil vendia 40% a mais do que a China no primeiro trimestre de 2008, relação que se reverteu neste ano, com o país asiático vendendo cerca de 20% a mais que o Brasil, segundo dados da empresa de consultoria argentina abeceb.com.
O avanço chinês também é realidade no mercado brasileiro. Em abril deste ano, a China ultrapassou os EUA e já é o principal parceiro comercial brasileiro – 12,9% das exportações do Brasil são para a China. O nó górdio da questão é que as nossas vendas concentram-se em matérias-primas, pois os produtos manufaturados representam 8% de tudo o que o país exporta para a China, ao passo que as importações que fazemos daquele país são, praticamente, de produtos manufaturados. Nesse ritmo, o Brasil corre o risco de voltar a ser um país fornecedor de matérias-primas, como no século XIX.
Apesar disso, até agora, não se ouviu uma voz dentro do governo brasileiro sobre a perda de um tradicional mercado como a Argentina. Um silêncio que só prova duas coisas: 1 – que o governo brasileiro tem sido de muito discurso, mas pouca ação; e 2 – que os produtos industrializados brasileiros não são competitivos, pois, gravados por tributos escorchantes e pela falta de infraestrutura, chegam mais caros ao mercado vizinho que os chineses, que são produzidos a milhares de quilômetros de distância.
Culpa dos chineses? É claro que não porque, na era da globalização, a competição é a norma. Portanto, o que o Brasil deveria fazer era trabalhar para melhorar a competitividade de seus produtos, em vez de colocar a culpa nos produtos estrangeiros. Como o governo não se dispõe a buscar alternativas que passem pela desoneração de tributos, não se tem boas perspectivas para o desempenho brasileiro no mercado argentino.
Por isso, a idéia que fica é que as negociações entre Brasil e Argentina pouco têm servido, exceto para a troca de acusações mútuas de protecionismo. Veja-se, por exemplo, o setor têxtil brasileiro, que tem 131 itens sujeitos a licenças não automáticas pela Argentina, forma pela qual as autoridades locais administram o que entra no país. É certo que essas licenças são válidas para todas as nações, inclusive para a China, que também enfrenta entraves como preços mínimos e processos antidumping, mas, no caso específico do Brasil, atingem 14% das nossas vendas e costumam superar o prazo de 60 dias, tempo-limite estabelecido pelas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Também a indústria brasileira de brinquedos acusa o governo argentino de utilizar barreiras informais para restringir a entrada de seus produtos, apesar do Mercosul. Para esse setor, nada representam as políticas de atração de investimentos e apoio dos dois governos ao investimento estrangeiro direto e às exportações, como as linhas de financiamento pré e pós-embarque do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Igualmente o setor de calçados pouco se tem beneficiado dessas ações. Afinal, viu a sua fatia no mercado argentino cair de 71% em 2005 para 45% neste ano. Em 2009, as importações argentinas de calçados da Ásia já chegaram a 2,6 milhões de pares, ao passo que o Brasil vendeu 2,2 milhões para aquele mercado.
É verdade que, em 2004, quando o Mercosul já carregava 13 anos de existência, o valor das transações entre Brasil e Argentina foi pouco superior a US$ 11 bilhões. E que, em menos de cinco anos, Brasil e Argentina triplicaram sua corrente de comércio, com boa qualidade e diversidade na pauta exportadora de cada um dos países. Sem contar que, em 2008, cerca de 90% do valor total das exportações brasileiras para a Argentina foram de produtos industrializados, do mesmo modo que quase 85% do valor total das exportações argentinas para o Brasil foram de produtos industrializados, segundo dados do MDIC.
Tudo isso, porém, pode virar pó, se não houver entre os dois governos mais espírito de integração que resulte em estratégias comuns para enfrentar a concorrência chinesa.

Nordeste cresceu quando o País parou


Do Estado de S Paulo


Puxada por Pernambuco, Ceará e Bahia, região viu seu PIB se expandir 2,2% no primeiro semestre; Brasil encolheu 1,46% no período.


O Nordeste saiu vitorioso da crise econômica e cresceu 2,2% no primeiro semestre. A estimativa surpreende em um Brasil que encolheu 1,46% no período. O Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco registrou alta de 3,8%; o de Ceará, 2,8%; e o da Bahia, 1,6%. Juntos eles respondem por dois terços da riqueza local. Segundo a Datamétrica Consultoria, que radiografou o bom momento da região a pedido do Estado, só em uma hipótese teria havido um crescimento nulo: se os outros seis Estados, que não calculam previsões de PIBs, tivessem sofrido uma retração três vezes maior que a da brasileira. Mas outros indicadores de suas economias apontam na direção oposta.


A Datamétrica, consultoria de Pernambuco especializada na economia nordestina, analisou os PIBs e variáveis de impostos estaduais e federais, comércio, produção industrial e movimentação bancária. Naquelas em que o Brasil cresceu, o Nordeste avançou mais. Nas outras em que houve retração, os nordestinos tiveram quedas menores. E são esses mesmos indicadores que mostram que Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão não fizeram feio. A arrecadação do ICMS desse grupo subiu 7,3% nos últimos sete meses, enquanto no Nordeste houve um acréscimo de 3,87% e no Brasil, de apenas 1,66%. No mesmo período, o comércio deles avançou 5,4%, do Nordeste, 5,6%, e em todo o País, 4,6%.


“De certa maneira, o Nordeste bancou a política anticrise de outras regiões brasileiras, já que a maioria das empresas dos setores em que houve redução do IPI fica no Sudeste e Sul”, analisa o presidente da Datamétrica, Alexandre Rands Barros. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido provocou queda nacional de receitas. Já o aumento da produção beneficiou mais os Estados produtores das cadeias automobilística e linha branca (eletrodomésticos).


Três fatores foram vitais para fazer com que a região crescesse mais que o Brasil na crise, explica Rands, professor de economia da Universidade Federal de Pernambuco. Para começar, o Nordeste exporta pouco. O que os nordestinos chamam de “exportação” é a venda de seus produtos para Sul e Sudeste. Como o consumo das famílias no Brasil foi o salvador geral da pátria, as empresas “exportadoras” se saíram bem. Em segundo lugar, a crise gerou incertezas e perturbou o humor das indústrias, sobretudo as do setor de bens de capital. Mas como estas se concentram no eixo São Paulo-Rio-Minas, o impacto no Nordeste foi menor.


Essas duas realidades não afetaram a confiança do nordestino, o terceiro fator em favor da região. O consumidor continuou comprando e se endividando para comprar mais. Confiaram na promessa de marolinha do presidente conterrâneo, Luiz Inácio Lula da Silva. “O efeito político foi grande. Os índices de aprovação de Lula caíram menos porque o Nordeste sofreu menos com a crise”, interpreta Rands.


O PIB nordestino contribui com uma fatia ainda inferior a 15% do PIB nacional. Porém crescer mais que o Brasil em meio à crise diz respeito a um terço da população brasileira que vive no Nordeste. Desde 2003, início do governo Lula, a região tem registrado PIBs superiores ao do País. A exceção foi 2007, o ano de crescimento recorde em que houve problemas localizados em algumas indústrias nordestinas. Mas a diferença foi pequena: 5,7% do Brasil ante 5,1% do Nordeste.


“Em setembro do ano passado, sem ser profeta, eu já dava declarações de que a crise mundial traria desdobramentos positivos para o Nordeste”, lembra Cid Gomes (PSB), governador do Ceará. A primeira seria consequência da desvalorização do dólar frente ao real. O Brasil se tornou barato para os estrangeiros e o turismo saiu ganhando. Bahia e Ceará vêm se alternando nas primeiras posições de maiores vendedores de pacotes turísticos do País. Os governadores do Nordeste aproveitaram também o momento para investir em obras públicas e desoneraram setores industriais, sobretudo os de itens de consumo popular e os que faziam concorrência com outros Estados.


O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirma que nem tudo foram flores e tem segurado a economia “na unha”. O Estado é o mais industrializado da região e setores como o de petroquímico, um dos carro-chefe da produção local, foram nocauteados pela crise. O fôlego foi possível, explica Wagner, pelos recursos de programas sociais estaduais e federais que não cessaram. “O nosso consumidor não está com a síndrome de guerra. Se ele vê que dá para consumir, vai para cima”, diz. Como houve mais impacto negativo da crise na Bahia, o governador baiano crê que a retomada neste segundo semestre será proporcionalmente maior. A indústria de celulose já retomou o volume de produção pré-crise, mas o faturamento continua inferior por causa do dólar barato e do preço mundial da mercadoria.


DIA DE FEIRA


Quem visita o Nordeste para além das capitais litorâneas percebe que o avanço das economias vem ocorrendo também no interior. O comércio dos pequenos municípios adquiriu outro status. Com dinheiro no bolso, o consumidor passou a atrair grandes empresas. Na década de 90 elas podiam se dar ao luxo de concentrar as atividades no Sul e Sudeste, mas agora elas correm atrás dos nordestinos. Em 2003, pouco mais da metade das famílias pobres possuía televisão a cores, hoje 88,7% delas têm. Telefone celular: saltou de 10,5% para 55%. Indústrias alimentícias que antes enviavam as mercadorias para as regiões Norte e Nordeste vêm montando bases locais e acabam comprando matéria-prima da própria região.


O governador Cid Gomes prefere associar uma imagem que retrata bem a atual realidade nordestina. Na terça-feira, despachando de Pedra Branca em seu governo itinerante, ele notou intensa atividade no comércio da cidade de 40 mil habitantes. Imaginou que era a feira, uma rotina secular dos municípios interioranos, quando a população se reúne numa praça para ofertar feijão de corda, carne de sol e macaxeira e levar para casa roupas, panelas e a comida que falta. “A feira de Pedra Branca era de sábado, mas me disseram que agora todo dia é dia de feira”, comemora.

A (ex-)Esquerda Corporation abandona o MST

Do Correio da Cidadania

Por Raymundo A Filho

Critico que sou, há muito, da direção do MST, com a sua política de blindagem e "cuidados" nas críticas ao governo Lulla, venho aqui apontar os resultados desta política adesista e institucionalista que, a meu ver, leva o MST à uma sinuca de bico.

Ontem, em todos os telejornais, e hoje, na maioria dos jornais, há o desfile macabro de notórios ex-esquerdistas, acionistas da (ex-)Esquerda Corporation, assumindo discurso da "punição criminal necessária" aos sem terra que chamaram, mais uma vez, a atenção do mundo para as falcatruas rurais e a paralisação da Reforma Agrária, ao que parece agora dependente de mais um interposto, que é a discussão sobre o aumento de índices de produtividade da terra. Como se tudo só dependesse disso, o que é uma mentira.

Estavam lá notórios "esquerdistas" e ocupantes de cargos públicos de um governo, o de Lulla, que se diz popular e não criminalizador dos movimentos sociais, a fazer média com o conservadorismo, a criminalizar o MST.

Nenhum deles mencionou a ilegalidade no uso de terras públicas para a perniciosa monocultura de laranjas, à base de toneladas de fertilizantes e venenos, sendo a ponta de lança dos métodos trogloditas de fazer agricultura, só boa para as corporações oligopolistas.

O agronegócio já desmatou o imensurável, e NUNCA vi nenhum destes da (ex)Esquerda Corporation pedirem cadeia para nenhum empresário rural com a veemência e convicção que agora fizeram com os integrantes do MST.

A agricultura familiar está enfiada até os ossos na compra de insumos industriais contaminantes, para onde vão 70% dos recursos do PRONAF (fertilizantes, venenos, carrapaticidas e vermicidas, medicamentos antibióticos e outros altamente persistentes no ambiente), afastando-a da agricultura ecológica (menos de 10% da agricultura familiar é ecológica), e acentuando a transferência de recursos do campo para os complexos industriais urbanos e internacionais. E ninguém aponta este crime.

Assim, mesmo considerando ter sido uma decisão muito arriscada, mas não equivocada do ponto de vista da denúncia feita, esta ação do MST de derrubar uns poucos pés de laranjas (a equação energética e ambiental daquele laranjal é completamente desfarovável para a coletividade), muito mais importante é colaborarmos para o esclarecimento das reais questões, muito bem expostas e denunciadas pelo MST.

Neste momento não cabem vacilações. E não podemos colaborar com o discurso já audível no próprio governo de "que isso vai atrasar ainda mais o processo".

Ora! O MST ficou seis anos amordaçado e manietado pela sua direção e nada obtiveram. Agora, fazem uma ação mais radical (e não contra o governo) e são ameaçados com mais "demora do processo".

Abram o olho: denunciar este governo como cúmplice da burguesia, não alinhando-se com qualquer crítica desta (falsas questões, na verdade), faz parte da reconstrução de uma oposição popular, para a luta anticapitalista, em grande atraso aqui entre nós.

Enquanto mantiverem o discurso da blindagem "apesar de tudo", nada conseguirão e serão sempre, ainda por cima, identificados como aliados e protegidos do governo, isentando este de falta de culpa na paralisação da Reforma Agrária.

A (ex-)Esquerda Corporation faria bonito se estivesse como figurante em famoso baile, de famosíssimo filme de Roman Polansky, A Dança dos Vampiros.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Quase metade dos jovens do Brasil está na pobreza


Da Reuters


Por Rodrigo Viga Gaier



RIO DE JANEIRO (Reuters) - Quase metade das crianças e dos jovens de até 17 anos estava em situação de pobreza ou extrema pobreza no ano passado, de acordo com estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Segundo o levantamento, intitulado Síntese dos Indicadores Sociais, 44,7 por cento das crianças e adolescentes do país estavam na condição de pobreza ou pobreza extrema, o equivalente a cerca de 11 milhões de pessoas.
Pelos critérios da pesquisa, um pobre tem um rendimento domiciliar per capita de até meio salário mínimo por mês ao passo que o extremo pobre tem uma renda de até um quarto do mínimo. O salário mínimo em 2008 era de 415 reais.
O levantamento apontou que 18,5 por cento dos jovens de até 17 anos residiam em uma casa com renda per capita de até um quarto do salário mínimo e 26,2 por cento tinham uma renda por pessoa de até meio salário mínimo ao mês.
"Quando se estuda pobreza no Brasil temos que levar em consideração vários aspectos. A raiz do problema está nas famílias pobres. A criança precisa entrar no mercado de trabalho de forma precoce para ajudar e ela acaba por reproduzir no futuro o padrão de pobreza da sua família. O trabalho infantil e o baixo nível de escolaridade explicam o problema,” disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes “É importante dar continuidade nas transferências de renda”, declarou
O IBGE detectou, no entanto, uma redução da pobreza na população de até 17 anos.
"A redução paulatina do nível de pobreza na segunda metade da década pode ser constatada também nas famílias com crianças e adolescentes", afirmou o IBGE. "Em 1998, 27,3 por cento das pessoas de até 17 anos viviam na condição de extrema pobreza e, em 2008, esse percentual diminuiu para 18,5 por cento."
A situação nas regiões menos desenvolvidas do país é mais grave. No Nordeste, 66,7 por cento das pessoas com até 17 anos vivem na pobreza ou na extrema pobreza ao passo que no Sudeste o contigente era de 31,5 por cento.