quinta-feira, 25 de junho de 2009

MS recomenda adiar viagem para 6 países

Por Conceição Lemes

Quem pretende ir para Estados Unidos, México, Canadá, Austrália, Chile e Argentina, atenção. O Ministério da Saúde recomenda que, se possível, adiem a viagem de:
* Crianças menores de dois anos de idade
* Pessoas acima de 60 anos
* Gestantes
* Pessoas com imunodepressão (por exemplo, pacientes com câncer, em tratamento de aids ou em uso regular de corticosteróides), hemoglobinopatias (doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como a anemia falciforme), diabetes, cardiopatia, doença pulmonar ou renal crônica.
Essas pessoas têm maior risco de desenvolver as formas graves da doença. E os seis países têm transmissão sustentada do vírus Influenza A (H1N1). Ou seja, tem muita gente que "pegou" o vírus da gripe suína no próprio país. A taxa de mortalidade dessa doença hoje no mundo é de 0,5%, semelhante ao vírus da gripe sazonal.
“É uma medida adicional de prevenção para os grupos mais vulneráveis à doença grave”, ressalta o Ministério da Saúde. “A recomendação tem como base critérios epidemiológicos e o aumento, com a proximidade das férias de inverno, da circulação de turistas brasileiros em países com transmissão sustentada da doença.”
No Brasil, há 399 casos confirmados. Esse número inclui os casos informados ao Ministério da Saúde pelos três laboratórios de referência para o diagnóstico da influenza (Fundação Oswaldo Cruz/RJ, Instituto Evandro Chagas/PA e Instituto Adolf Lutz/SP) e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Dos 271 casos confirmados apenas pelo Sinan, 208 (76,8%), infectaram-se no exterior e 42 (15,5%) “pegaram” aqui; 21 permanecem em investigação. Os principais locais de provável infecção dos casos importados foram Argentina (119 casos), Estados Unidos (57) e Chile (11).
Importante: das 42 pessoas se infectaram no Brasil, todas tiveram contato com doentes procedentes do exterior. Desse modo, até o momento, o Ministério da Saúde considera que a transmissão é limitada no País; não há evidências de sustentabilidade da transmissão do vírus de pessoa a pessoa.

LAVE FREQUENTEMENTE AS MÃOS
O vírus da gripe suína é transmitido da mesma forma que o da gripe sazonal: por gotículas que são expelidas quando a pessoa infectada fala, espirra ou tosse.
Portanto, as medidas de prevenção são as mesmas para o controle e prevenção da gripe sazonal e de outras doenças respiratórias:
* Lave frequentemente as mãos com água e sabonete. Faça isso, pelo menos: depois de tossir ou espirrar; após usar o banheiro; antes de comer; e antes de tocar os olhos, boca e nariz.
* Evite colocar as mãos nos olhos, nariz ou boca após pegar mexer com dinheiro, pegar produtos no supermercado ou ter contato com superfícies que não estejam devidamente higienizadas.
* Procure ter hábitos saudáveis, como alimentação adequada, ingestão de líquidos e atividade física.
Se apesar desses cuidados, você se sentir indisposto (a), tiver febre alta, tosse ou dor de garganta, procure um serviço médico, principalmente se viajou para o exterior ou teve contato direto com pessoa que chegou há menos de 10 dias do exterior e apresente um desses sintomas. É por precaução. Avaliação médica e exame laboratorial poderão dizer se é gripe suína ou não. Mas vá tranqüilo (a). Mesmo que seja gripe suína, o diagnóstico e o tratamento precoces vão curá-lo (a) rapidamente.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Voto eletrônico não merece confiança

Do Blog Desemprego Zero

Fonte: The New York Times

Máquinas de voto eletrônicas que não oferecem um recibo em papel do que foi computado não merecem confiança. Em 2008, mais de um terço dos Estados, inclusive Nova Jersey e Texas, ainda não exigiam que todos os votos fossem registrados em papel.
Agora, o republicano Rush Holt apresentou um ótimo projeto de lei que proíbe o voto eletrônico sem extrato em papel em todas as eleições federais. O Congresso deve aprová-lo enquanto ainda há tempo para preparar o pleito de 2010.
No voto eletrônico sem recibo em papel, os eleitores fazem sua escolha e quando todos os votos forem computados a máquina informa os resultados. Não há como saber se houve algum problema ou o roubo intencional (através de softwares maliciosos ou do acesso ilegal ao computador) que possa ter interferido no resultado. Se a eleição for disputada, não há como realizar a recontagem dos votos.
O projeto de Holt exigiria que cédulas de papel sejam utilizadas para cada voto feito em novembro de 2010. Isso ajudaria oficiais eleitorais no desenvolvimento de uma tecnologia que é melhor: o voto de leitura ótica. Com a leitura ótica, os eleitores preenchem uma cédula que é então lida por um computador (como um teste de múltiplas respostas).
Os votos são contabilizados rapidamente e de maneira eficiente por um computador, mas a cédula de papel continua a ser o voto oficial, que pode ser recontado.
O projeto também exigiria que os Estados conduzissem recontagens manuais aleatórias em 3% dos precintos de eleições federais, mais em pleitos disputados. Estas auditorias rotineiras são formas importantes de se checar a precisão do computador.
O projeto tem inúmeras provisões criadas para facilitar a transição para governos com baixo orçamento. Ele autoriza US$1 bilhão em financiamento para substituir sistemas que não estão de acordo com as exigências e mais dinheiro para as auditorias. Além disso, também permite aos Estados tempo extra para abandonar as máquinas, no qual os eleitores poderão fazer sua escolha em um computador e a máquina produzirá um recibo (como um extrato) do voto.
Tais máquinas são mais confiáveis do que a eleição sem registro em papel. Mas não são perfeitas, uma vez que os eleitores nem sempre verificam o registro para garantir sua exatidão. Até 2014, máquinas que geram rastros de papel teriam que ser substituídas por aquelas nas quais os eleitores registram seus votos diretamente em papel (o melhor de todos os sistemas).
A liderança da Câmara deve ter a aprovação do projeto de Holt como uma prioridade. Poucas questões são tão importantes quanto garantir que o resultado das eleições possam ser confiados.

O desemprego no mundo

Do Opinião e Notícia

A pior crise econômica mundial do pós-guerra vem levando a taxas mais elevadas de desemprego em muitos países. A Espanha lidera esta lista.
O desemprego no país aumentou mais de 8% nos últimos 12 meses — principalmente devido ao colapso do setor de construção civil –, alcançando 18,1%. Trata-se da taxa de desemprego mais alta no mundo rico.
A situação também anda complicada na Rússia, onde uma em cada dez pessoas está sem trabalho. Nos EUA, o número de desempregados aumentou quase 4 pontos nos últimos 12 meses. Por enquanto, o aumento da taxa de desemprego vem sendo moderado na Alemanha, onde sai caro demitir.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Muricy, um trabalhador brasileiro

Da Revista Brasileiros

Brasileiros: Depois de voltar da China, você colecionou títulos: foi bicampeão pernambucano pelo Náutico, duas vezes campeão gaúcho pelo Inter, campeão paulista pelo São Caetano, antes do tri no São Paulo. Disso tudo que você ganhou, qual foi a grande lição que o futebol deu para a tua vida?
Muricy Ramalho: Acho que é experiência de vida, eu conheci várias culturas, e principalmente os amigos que fiz. Tenho muito mais amigos que inimigos, muito mais. Eu sou um cara bom para lidar, mesmo eu sendo treinador... Porque treinador é foda, tem muito inimigo, você perde o jogo, os caras ficam bravos, mas eu tenho amigo para cacete.Em todo lugar eu fiz amigos. No Recife, eu vou lá e os caras gritam o meu nome. No Internacional, os caras me convidam toda hora para voltar, é loucura. Todo o lugar que eu vou eu sou muito querido, no México também. É mais porque eu me entrego para o clube, trabalho para cacete. O meu custo benefício é muito alto: por exemplo, aqui eu descubro muito jogador, recupero se eles estão encostados e não abaixo nunca a cabeça quando o time está mal. No ano passado, quando a gente estava num momento ruim, todo mundo se afastou. Foi muito difícil aqui dentro. Eu levantei o moral dos caras, então essas coisas marcam, não é fácil, não, precisa ter saúde, meu!
Brasileiros: Quer dizer que no futebol a derrota é sempre solitária?
M.R.: A derrota é solitária. É, mas eu não fico aí pelos cantinhos reclamando, nem vou ao Morumbi para agradar alguém. Eu venho aqui, vou trabalhar, vou para casa, procuro saber no que eu posso melhorar. Nestes dias mesmo escrevi dez times no papel para ver se encontro a formação ideal. Eu faço exercício, fico fazendo exercício, não fico dormindo, não sou treinador que vai embora para casa e para de trabalhar. Eu fico fazendo exercício porque eu preciso melhorar o meu time. Então, em vez de ficar reclamando, em vez de ficar chorando, agradando as pessoas, não, eu vou para o pau! O ano passado aqui estava assim. Eles sabem disso. Aqui não vinha mais ninguém. Ficou uns 20 dias assim, você vai se entregar?
Brasileiros: E a tua relação com a imprensa. Você não acha que às vezes pega pesado?
M.R.: Com alguns caras, sim, mas eu pego com quem não é imprensa. Ele está ali, mas não é o cara que pode dizer que é da imprensa. Alguns são mesmo mal preparados. Estão ali e não sabem do que estão falando. Eles foram numa escola que tinha uma matéria do "quanto pior, melhor". E eu não gosto dessa matéria. Se você pega os melhores caras do esporte, esses caras que são bons, que entendem de futebol, não brigo com eles. Porque são técnicos, sabem do que falam. Agora, molequinho igual tem por aí que quer aproveitar uma brecha para aparecer... Por exemplo, no ano passado, naquela fase ruim, falaram que tem que mandar embora, meteram a porrada, passaram por cima, o cacete. Eu fiquei quietinho, não revidei, não enchi o saco, aguentei a porrada. O que acontece agora é que se você dá uma pegadinha num desses aí, fica tudo melindrado, tudo com coisinha, então como é que eu aguentei? Sabe como é que eu faço? Eu me fecho, não converso com ninguém, e vou tentar melhorar o meu time. LEIA NA ÍNTEGRA

A saída Ciro Gomes

O PT de São Paulo e a saída Ciro Gomes

Por Celso Marcondes, em Carta Capital

Há dois meses o noticiário da imprensa paulista dava como quase certa a candidatura do deputado Antonio Palocci para o governo do Estado de São Paulo em 2010. Dizia-se que, se inocentado pelo STF no caso da invasão de privacidade do caseiro em Brasília, Palocci seria o favorito de Lula e da maioria das correntes internas do PT. Até aqui o Supremo não se manifestou, mas sumiram as defesas do nome do deputado por parte de lideranças petistas.
Outra opção do partido, a ex-prefeita Marta Suplicy manifestou-se publicamente, afirmando que não é candidata ao governo. Uma terceira hipótese discutida, o senador Aloizio Mercadante, parece se inclinar para a tentativa de reeleição ao senado.
Além destes três, considerados os nomes mais evidentes do PT para a disputa do governo, correm por fora as candidaturas do prefeito de Osasco, Emídio de Souza e do ministro da Educação, Fernando Haddad. O primeiro, ao que tudo indica, apenas para “marcar posição” e conseguir “moeda de troca” para sua corrente, liderada pelo deputado João Paulo. O segundo, para colocar o nome em evidência na mídia visando voos futuros ou uma vaga no parlamento, pois carece de apoio interno significativo dentro do PT.
O que une Palocci, Marta e Mercadante? A certeza de que esta, mais uma vez, é uma eleição para perder. Geraldo Alckmin, bem na frente das pesquisas, ou Gilberto Kassab, - na briga, mas sem declarar – parecem ter muito mais chances de êxito. O PT caminharia para amargar mais uma derrota. Como aconteceu em todas as disputas anteriores ao governo do Estado, com Mercadante, Genoíno, Marta, Zé Dirceu e Suplicy. E Lula, na primeira eleição pós ditadura, em 1982.
Por que uma eleição para perder?
1. Porque o partido ainda não conseguiu ter capilaridade pelo interior do Estado, nem nome forte, nem aliança para vencer o candidato do lado de lá. Que deve ter o PMDB ao lado.
2. Porque o PT não pode partir do principio que do esforço de Lula para transferir votos para Dilma por todo o Brasil vai sobrar tempo para fazer o mesmo em São Paulo, em favor de qualquer um dos candidatos.
3. Porque é em São Paulo que reside a grande força do governador Serra – que em caso de perspectiva de desastre na candidatura presidencial pode ter a opção da tentativa de reeleição
Mercadante, Marta e Palocci conhecem bem este quadro e se colocam diante de uma escolha: trocar uma cadeira certa para o parlamento por uma derrota certa para o governo valeria a pena? Só com muita negociação.
É este cenário que fez crescer nas últimas semanas a articulação pela candidatura do deputado Ciro Gomes, do PSB do Ceará. Unindo dirigentes do PT (o deputado Cândido Vaccarezza), do PDT, do PC do B e do próprio PSB, o movimento pela “importação” de Ciro é real. Aos jornais, ele reafirma que é candidato à presidência, mas que é obrigado a analisar a hipótese paulista em função da seriedade dos proponentes.
Enquanto ele analisa, a bancada do PT na Assembléia Legislativa fechou posição contra a alternativa, ciente de que a ausência de um candidato do partido prejudicaria a eleição de um número maior de deputados. “São Paulo não é o Amapá!”, gritam, em referência direta à trajetória do senador Sarney, hoje bastante na mídia. Mas nem a direção do partido, nem o ainda mais que influente José Dirceu, nem Mercadante descartam a saída Ciro, um cearense, mas, importante lembrar, nascido no interior paulista.
O fato é que o jogo petista está mais que embaralhado. Se a saída Ciro não prosperar, o mais provável é que Marta Suplicy seja pressionada pelo partido para assumir o sacrifício. Por uma simples razão: ela é a candidata petista em melhor posição nas pesquisas. Não teria o suficiente para se eleger, mas o suficiente para disputar um segundo-turno e alavancar a bancada petista para a Assembléia e dar palanque sólido para Dilma em São Paulo. Não eleita, ainda poderia apostar numa vaga num eventual ministério de Dilma.
Aguardemos os próximos lances, as fichas ainda não estão na mesa.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Dilma cita Ciro como vice em chapa governista para 2010

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata do Planalto à sucessão presidencial, não descartou ter o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) como postulante a vice na chapa. ?Se eu puder escolher, independente do ano, quero Ciro ao meu lado?, afirmou ela, em visita a um conjunto habitacional em Fortaleza, ontem. Já o deputado afirmou, em um evento com sindicalistas na capital paulista, que ainda está pensando sobre a possibilidade de disputar o governo de São Paulo em 2010. ?Estou pensando?, disse. Sobre uma dobradinha com Dilma, ele afirmou que ?ninguém é candidato a vice?.Ciro percorreu quatro andares do prédio da sede da Força Sindical, onde participou de um congresso do Sindicato dos Metalúrgicos, entrando e saindo de auditórios e fazendo discursos. Com um vocabulário familiar à plateia - formada em sua maioria por nordestinos -, ele falou da sua trajetória no Nordeste, apesar da origem paulista, e citou realizações que beneficiaram diretamente a classe operária, como a medida provisória, assinada por ele quando ministro, que instituiu a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados das empresas.Dilma também se comportou como candidata. Caminhou pelas casas, abraçou e beijou moradores e tomou cafezinho na barraca de um ambulantenão falou de política.

Fome vai atingir recorde de 1 bilhão de pessoas em 2009, diz FAO

Da BBC Brasil

O número de pessoas que passam fome no mundo chegará neste ano ao recorde histórico de 1 bilhão, segundo a projeção mais atualizada da FAO, o braço da ONU para a agricultura e alimentação, divulgada nesta sexta-feira.
A situação, que a organização descreve como "uma combinação perigosa de desaceleração econômica e preços de alimentos que insistem em se manter alto em muitos países", deve fazer com que 100 milhões de pessoas sejam empurradas para baixo da linha da pobreza.
"Embora importante progresso tenha sido obtido para reduzir a fome crônica na década de 1980 e na primeira metade de 1990, a fome aumentou inexoravelmente durante a última década", diz a organização.
"O número de famintos aumentou entre 1995-97 e 2004-06 em todas as regiões do mundo, exceto na América Latina e no Caribe", acrescenta a FAO. "Mas inclusive nesta região os progressos históricos na redução da fome foram anulados como consequência da alta dos preços dos alimentos e da atual crise econômica."
Segundo o relatório, "a crise econômica se produz como continuação da crise alimentar e energética de 2006-08".
"Em termos reais, os preços têm permanecido em média 24% acima dos de 2006", acrescenta a entidade. "Para os consumidores pobres, que gastam até 60% de sua renda em alimentos básicos, isso significa efetivamente uma forte redução de seu poder aquisitivo."

Emergentes

A organização ressalta que os países pobres e em desenvolvimento são, de longe, os que mais abrigam desnutridos.
E eles são também os mais vulneráveis à crise global: os investimentos direcionados a eles devem cair 32% neste ano (segundo o FMI), assim como o volume de remessas de estrangeiros (entre 5% e 8%, de acordo com o Banco Mundial).
O relatório diz que soma-se a isso uma queda no volume do comércio mundial (entre 5% e 9%, segundo o FMI e a OMC) e a redução no volume de ajuda internacional.
"Não podemos ficar indiferentes à situação atual de insegurança alimentar no mundo", alertou o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf. Ele também pediu mais mecanismos para elevar a produtividade agrícola dos países pobres.
"Esta crise silenciosa da fome, que afeta um em cada seis seres humanos, representa um sério risco para a paz e a segurança mundiais", acrescentou.
Segundo a FAO, muitos dos que passam fome vivem no campo - mas serão os pobres da cidade que, afetados duramente pela piora da situação econômica e pelo aumento do desemprego, terão dificuldades de fazer frente à recessão mundial.
A FAO estima que 642 milhões de pessoas passem fome na região da Ásia e Pacífico. A África Subsaariana possui 265 milhões de pessoas com fome.
Em seguida, vêm a América Latina e Caribe (53 milhões), África do Norte e Oriente Médio (42 milhões) e os países desenvolvidos (15 milhões).

Juventude Fast Food

Por Madalena Giostri

O que você quer ser? Quem já não foi surpreendido com essa pergunta? Afinal qual pessoa não fica profundamente irritada com essa dúvida? O jovem quem diga. Aos 17 anos somos profundamente atormentados com a obrigação de imaginar como será nosso futuro pro resto das nossas vidas. Poucos sabem a reposta na ponta da língua, ou então, acham que sabem, pois o que sabemos realmente é que nada dura para sempre. Clichê? Essa é controvérsia do chamado mundo moderno.
Vivemos em uma sociedade capitalista. A Revolução Industrial que vem ocorrendo há 249 anos, nos encaminhou para um mundo totalmente tecnológico e a cada dia menos humanitário. Podemos dividir a sociedade de acordo com seus descobrimentos. A pedra, os metais, as especiarias, a tecnologia, são tantas as decobertas, mas ate hoje não tivemos a idade do homem, uma época em que o amor, a amizade, a paz vem à frente do dinheiro, da ganância. Seria estúpido afirmar que após tantas descobertas estamos vivendo em um mundo onde você pode ser tudo que quiser.
Já nascemos predestinados a ser algo projetado pelos nossos pais e principalmente pela condição social em que eles vivem. O acesso à cultura, a informação e principalmente aos estudos exige uma grana alta, que só será adquirida com muitas horas de trabalho e é claro, em cima de muito estresse.
Esa cultura surgiu com a Revolução Industrial. A necessidade de crescimento tecnológico fez surgir à indústria cultural e com ela uma sociedade de massa. Uma sociedade caracterizada pelo dinheiro. Dividida em classes sociais que são julgadas pelo seu status social, que definem quais são seus direitos e seus deveres. O valor das pessoas está na conta bancária?
Como criar filhos em meio ao caos dessa desumanidade? Começo meu dia já angustiada de ter pouco tempo para fazer tudo o que devo, porque minha vontade mesmo é de não fazer nada. Passo o dia correndo, sempre com a sensação de estar atrasada. Na hora de comer, não tenho tempo para fazer uma comida gostosa e saudável. Acabo abrindo o congelador e pegando aquela lasanha da Sadia. Rápido e fácil, assim defino a vida moderna. Uma geração que aprendeu a viver com pressa.
Não existem mais encontros de jovens que abraçam ideologias, agora a única coisa que eles abraçam são produtos industriais fabricados de acordo com o mercado, como aquela música que estraga nossos ouvidos, ou mesmo aquele pedaço de pano caríssimo só porque tem uma marca enorme que está na “moda”.
Com os meios de comunicações mais desenvolvidos nos deparamos com muitas facilidades que eles nos proporcionam. Mas o que custa a ver é que não damos conta da velocidade da informação. A impressão é que a Terra gira a cada dia mais rápido e eu, uma jovem, acredito não estar conseguindo acompanhá-la.
A tatuagem que há 5 anos atrás era sinal de rebeldia, hoje é apenas uma decoração. A drogas que quase não se via, hoje esta explícita em todos os lugares que vou. O protetor solar que não servia para nada, hoje não posso viver sem. As doenças antes eram sinônimos de velhos: hoje, com 20 anos tenho ansiedade, gastrite, colesterol alto e estresse. O tempo virou algo precioso, quase nunca o tenho.
Não sei mais namorar, usar salto alto e nem ao menos uso batom. No namoro sempre encontro homens folgados que apenas querem curtir a vida com cerveja, drogas e sexo ou então aqueles que só pensam na imagem e no dinheiro. A cada dia que passa me sinto mais fora deste mundo, sem identidade, sem tribo.
Tenho muitos medos. Medo do amor e de não saber amar. Tenho medo da sombra e medo da luz. Tenho medo de pedir, tenho medo de calar. Medo, que dá medo do medo que dá.
Sou a conseqüência de uma juventude Fast Food.

COMANDANTE DE AIRBUS OPINA SOBRE O ACIDENTE DO AF 447

Do Blog Democracia Política

“Gostaria de passar algumas informações com relação ao acidente da AF. Posso dizer apenas que o assunto é muito complexo e, portanto, difícil de tirar uma conclusão baseada apenas nas evidências atuais. Porém, se for para especular, acho que estou em melhor condição que muitos repórteres e curiosos da nossa imprensa. Eu pilotei o A330-200, de 2001 até 2007, e depois passei a voar o A340-500 (quatro turbinas e 132 ton mais pesado), com tecnologia similar ao A330. Estes aviões são computadores voadores. Todos os comandos que existem na cabine são na realidade terminais de um teclado de computador disfarçados em alavancas, interruptores, teclas etc. Tudo para dar ao piloto uma sensação de um avião convencional, ao qual nós pilotos estamos acostumados. Pergunta: o avião é seguro? Sim, super seguro. As chances de algo muito errado acontecer a todos os computadores ao mesmo tempo é, realisticamente falando, impossível. Somente para o caso específico dos controles de voo, por exemplo, temos seis computadores, com dois canais cada, e que podem funcionar independentemente ou em conjunto com até 26 combinações. Para alimentar eletricamente todos os sistemas, o avião possui 3 geradores normais, um gerador de emergência, que é acionado pelo ar de impacto, e duas baterias com autonomia de 30 minutos. Apenas um gerador é suficiente para alimentar todos os sistemas de voo por tempo indeterminado. Então o que aconteceu ao AF? Eu acho que foi um conjunto de fatores extraordinários, que, somados, não deram a menor chance aos pilotos de usarem todos os recursos disponíveis. Uma turbulência extremamente forte, que normalmente vem associada a formação rápida de gelo ou chuva de granizo, pode extraordinariamente bloquear ou danificar todos ou quase todos os sensores externos que todo avião possui (até os mais simples) e que são essenciais para o funcionamento dos instrumentos a bordo. Uma nuvem do tipo "cumulo nimbos" pode ter em seu interior pedras de gelo com diâmetro de até 20 centímetros, deslocando-se com velocidade superior a 300 km/h. Mesmo desviando de uma formação assim, uma aeronave pode ser atingida por uma saraivada de granizo estando a mais de 25 km de distância da nuvem. Voando à noite, próximo a nuvens pesadas com turbulência severa, formação de gelo ou granizo, sensores danificados e sem indicação de velocidade e/ou altitude qualquer avião fica condenado a entrar em atitude anormal, atingindo velocidade muito acima da máxima estrutural de homologação, comprometendo a integridade estrutural da aeronave. Todo avião tem procedimento alternativo para voar sem indicação nenhuma de velocidade ou sem indicação de atitude ou com restrição elétrica ou despressurizado ou com controles de voo parcialmente travados... Porém, com tudo isso ao mesmo tempo ...Vamos aguardar a investigação das autoridades competentes; aí saberemos o que realmente aconteceu.”
FONTE: texto do Cmt Fábio Farias, recebido por terceiro em 18/06/2009

A Justiça tarda e por isso falha!

Da Revista Algo Mais

Por: Alexandre Nápoles Filho*


"A Justiça de Pernambuco é a mais lenta do País... possui maior índice de congestionamento na primeira instância da Justiça comum: 91,7%... no Brasil, o congestionamento da primeira instância da Justiça Estadual é alarmante: chega a 79,6%.". Divulgada a análise do CNJ pelo Jornal do Commercio na última semana, estes dados me fizeram lembrar o resultado de uma pesquisa encomendada pela Associação dos Magistrados Brasileiros ao IBOPE, em 2004, que apontou o Judiciário como "um poder lento como a tartaruga, perigoso como um leão, corrupto, ineficiente e pouco confiável".

A perda de credibilidade no sistema de Justiça tem sido manchete em vários periódicos nos últimos tempos. O desajeitado bate-boca promovido pelas excelências no plenário da Suprema Corte, lavando roupa suja em cadeia nacional de TV, parece ter amplificado ainda mais o debate. Agora, o boom do momento vem através dos números.

As expressivas cifras contribuíram para repensarmos que modelo de justiça está sendo construído e a quem convém seus serviços. Numa análise longe de hipocrisias, temos que considerar que a morosidade do sistema de justiça não é totalmente maléfica para muitas pessoas, principalmente as devedoras, que, na carona desse bonde a gás, se beneficia das prescrições intercorrentes no processo.

Apontar culpados é a tarefa mais cobiçada pelos especialistas do segmento. Falta de recursos tecnológicos dos tribunais, deficiência numérica no corpo dos magistrados e servidores, pouco incentivo às formas alternativas de resolução dos conflitos são alguns dos problemas realmente plausíveis. Com esmero na abordagem, também o Relator da ONU sobre Independência dos Juízes e Advogados, Sr. Leandro Despouy, em sua visita ao país em 2005, recomendou ao Estado Brasileiro que reduza o número de procedimentos recursais de modo que a decisão judicial atinja o duplo requisito da eficácia e celeridade.

Entretanto, acredito que para além de pensarmos em instrumentos formais de celeridade processual, que é imprescindível para aprimorar o sistema, necessitamos, igualmente, refletir sobre um ponto anterior: que tipo de acesso à justiça queremos promover? Um acesso aos tribunais (aos prédios) ou às decisões individual e socialmente justas? Acesso aos serviços judiciários ou aos valores e direitos fundamentais ínsitos a qualquer ser humano? LEIA MAIS