quinta-feira, 2 de abril de 2009

Brasil anistia Miguel Arraes, após 45 anos

Do Jornal Correio do Brasil

Ministro da Justiça, Tarso Genro assinou, nesta quarta-feira, a portaria que concede anistia política ao ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Há 45 anos, quando um golpe militar instalou a ditadura no país, o então governador foi preso pelos militares e conduzido para fora do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado. Tarso assinou a portaria neste mesmo local.
O ato foi realizado na abertura da 20ª Caravana da Anistia, com a presença do governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, do prefeito de Recife, João da Costa (PT), do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares Pires, e do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

Crise - Hora de manter a calma!

Do Monitor Mercantil

As informações sobre os reflexos no Brasil que terá a crise econômica que o mundo atravessa não são positivas. Fazendo um rápido resumo das últimas notícias sobre o tema, a Associação Comercial de São Paulo divulgou que as vendas a prazo no varejo em São Paulo caíram 6% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disto, a inadimplência aumentou 9,5% em janeiro na maior economia do país. Já os carnês quitados ou renegociados (registros cancelados) caíram 2,3% na comparação entre janeiro de 2009 e 2008.
Isso somado aos dados de 2008, quando a inadimplência dos consumidores aumentou 8% comparado ao acumulado de janeiro a dezembro do ano anterior, segundo dados do Serasa, e ao quadro cada vez maior de aumento do número de desempregados no país, criam um panorama assustador para os próximos meses, fazendo com que entremos em desespero, correto? Não, muito errado.
O que me assusta mais do que a crise, atualmente, é o cenário de caos pintado por alguns especialistas para a população, direcionando para que não sejam realizadas compras. Outro dia, ao assistir um consultor na televisão, pensei que as pessoas que também viam o programa deviam estar com vontade de voltar para a cama e só sair quando a crise passar. Muitos consultores não percebem que com isso estão prestando um desserviço para a economia, gerando a queda do consumo e um aumento do desemprego, num verdadeiro "círculo vicioso" de crise. Por outro lado, é lógico que também não devemos sair gastando todas nossas reservas para salvar o país.
Em períodos de crises como esse é que se torna mais importante que as pessoas mantenham a calma, tomando o controle de sua vida financeira, vendo qual é a real situação. Contudo, também é importante cortar gastos supérfluos, adequando a uma nova realidade de padrão de vida, realizando compras normalmente e principalmente, continuando a realizar os seus sonhos.
Para quem hoje encontra-se endividado, essa é uma ótima hora de negociar as dívidas e pagá-las. Como fazer isso? A única alternativa é se conscientizar da importância de mudar sua cultura e hábitos financeiros. Uma boa gestão financeira é fruto de uma série de pequenas ações e atitudes que levam ao controle das contas.
Assim, primeiramente deve-se elaborar um diagnóstico financeiro, registrar por 30 dias para onde está indo seu dinheiro e montar seu verdadeiro orçamento financeiro, com o domínio de seu dinheiro estará pronto para uma possível negociação com seus credores, mas todo cuidado é pouco, as prestações desta negociação deverão caber no orçamento. Caso não seja possível, seja honesto com seu credor e relate a real situação, pedindo mais algum tempo para saldar a divida.
Para quem não está endividado, mas também não tem reservas, é hora de guardar dinheiro, investindo em alternativas conservadoras, pelo menos 20% devem ser direcionado para poupar, conforme oriento no livro Terapia Financeira (Editora Gente). Mas, para quem já possui dinheiro suficiente para realizar seu sonho de consumo, é um ótimo momento para realizar a compra à vista, fazendo uma boa pesquisa de preços e solicitando um bom desconto. Tenha a certeza que em quase a totalidade dos produtos e serviços existe uma margem de desconto a ser obtida, só é preciso perder a timidez e tomar a atitude. As maiorias das lojas estão em liquidações e este pode ser um bom momento para comprar, mas compre somente o necessário sem exageros, lembre-se é um momento de se estruturar financeiramente e criar reservas para realizar futuros sonhos e desejos.
Um importante alerta, evite parcelamentos, mesmo dentro de um planejamento financeiro, pois as taxas de juros continuam extremamente altas. Assim, o grande segredo nesse momento é não entrar em pânico perante o cenário que alguns economistas apresentam. Apesar de não ser nenhuma "marola", é importante ter consciência que a crise também não será nenhum "tsunami", que devastará tudo, é preciso cautela, atenção, muita disciplina e educação financeira.
Reinaldo Domingos
Educador e Terapeuta financeiro. Também é autor do livro "Terapia Financeira" - (Editora Gente), e criador da Metodologia DiSOP - Educação Financeira - Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira - (www.disop.com.br)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Preconceitos e desvalorização da condição humana

Do Observatório da Imprensa


Por Washington Araújo

É de impressionar a capacidade que nossa caixinha mágica tem de expor pessoas ao ridículo, fustigar valores universais como crença e etnia, trazer à tona velhos preconceitos e provocar na audiência a adesão a um tipo de humor de desvalorização da condição humana. É o que vem acontecendo com o Big Brother Brasil, já em sua 9ª edição, ao manter confinado um número de pessoas que busca o prêmio maior de R$ 1 milhão e prêmios menores, que incluem uma casa, vários carros, dezenas de celulares, computadores etc., toda essa vitrine de dar água na boca de seus ávidos consumidores, que chegam embalados pelo marketing dos produtos que patrocinam o "programa".
A inovação desta edição (pode até ter começado na edição 2008) é a criação de castigos semanais a serem cumpridos por um ou mais dos participantes. É aqui que está o ponto. Em geral, o escolhido precisa vestir uma roupa especial por um período de tempo que pode chegar a 48 horas, é privado de algum conforto físico e recebe o comando de realizar uma tarefa a cada toque de uma sirene. O que se espera dos "escolhidos"? Ora, que fiquem irritadiços, cansados e prestes a ter um ataque de nervos. A carga negativa dos "castigados" se volve primeiro para quem os indicou e depois transborda para o grupo. Ou seja, o castigo abre margem para muita discórdia. O BBB é um programa que fatura (e muito) expondo as mazelas da condição humana e é alavancado pelo nível de discórdia que impeça um clima mínimo de civilidade e bom relacionamento social dentro da casa da Globo em Jacarepaguá.
Se fosse índio, me sentiria ofendido
Voltemos aos castigos. Estes são, na maioria das vezes, infames. Vejamos alguns deles:
Um casal deve se vestir de índios (obviamente índios norte-americanos, com modelos, plumas, colares e cores dificilmente encontráveis em qualquer nação indígena no Brasil) e são obrigados a fazer a dança da chuva cada vez que toca o sinal. A maneira como uma longeva tradição indígena é retratada é uma forma pouco sutil de ridicularizar os povos indígenas e passa a mensagem de quão ingênuos (para não dizermos outro adjetivo) estes são. Não é de hoje que a cultura indígena é objeto de escárnio da auto-proclamada civilização branca. Alguns exemplos? Quando alguém não tem o que fazer numa noite de 3ª ou 5ª feira o que diz que vai fazer? Um programa de índio. Algo muito desinteressante, sem graça que… somente poderia ser feito por um ou mais índios. Quando alguém fala um português sem dominar a gramática e sem muita noção do uso deste ou daquele vocábulo como o sujeito é referido? Ah, ele fala igual a um índio. Depois dessa exposição caricata e pejorativa para com os valores dos primeiros habitantes das Américas, ainda temos que conviver com a hipocrisia ensinada em muitas das nossas escolas que respeitamos nossos índios, valorizamos seus costumes, admiramos suas crenças. Entendo que o castigo imposto ao casal para dançar dezenas de vezes a dança da chuva, a caráter, é de um ridículo somente superado pelos castigos posteriormente apresentados no mesmo programa. Se fosse índio me sentiria bastante ofendido e entraria com uma representação na esfera do Judiciário. Provavelmente não daria em nada tal representação, mas ao menos vocalizaria minha dor, embora com muito menor visibilidade que aquela alcançada pelo programa apresentado por Pedro Bial e seus heróis.
Os tropeções da História
Há poucos dias, uma participante foi escolhida para o tal castigo do monstro. A jovem deveria, vestida de galinha (isso mesmo, de galinha), chocar um ovo no jardim sempre que escutasse o som de pintinhos. Isso seria cumprido à risca por 48 horas. Como seria bom se a azarada selecionada para a performance pudesse dizer em alto e bom som: "Recuso-me a me vestir de galinha porque não sou galinha. Recuso-me a chocar ovos porque não sendo uma galinha não é inerente à minha condição humana. Peço que bolem outra tarefa menos ridicularizante de minha condição de mulher."
Um discurso desses dificilmente – se não, impossível – alguém iria ouvir da boca de uma jovem sequiosa para conquistar o seu sonhado R$ 1.000.000,00. Mas seria um discurso verdadeiro. O castigo traz consigo uma realidade que não quer calar em nosso país: somos machistas e não conseguimos fingir o contrário por muito tempo. Claro que poderia ter sido escolhido um homem para cumprir o castigo. Mas, digam-me, senhores leitores, sendo um homem aquele a escolher quem vai se expor ao ridículo por dois longos dias, será que lhe passaria pela cabeça optar por um homem? Os preconceitos contra as mulheres vêm de muito longe. Estão em textos sagrados: São Paulo advertia contra as mulheres. Santo Tomás de Aquino afirmava ser a mulher um ser "ocasional" e "acidental". No Livro de Provérbios (11:22), a mulher é redimida enquanto posse do homem: "A mulher virtuosa é a coroa de seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão de seus ossos." Encontram-se em textos dos filósofos: Eurípedes (485-406 a.C.) toma Hipólito como seu alter ego e argumenta, ardoroso, que "a mulher é um flagelo desmedido que posso provar; o pai que a gera e cria estabelece um dote a quem a leve, a quem o livre de tamanha praga!"; já Virgílio (70-19 a.C.) define a mulher como sendo sempre "coisa variável e mutável". Ninguém menos que o renomado Montaigne (1533-1592) insiste em deixar às mulheres os afazeres domésticos: "A ciência e ocupação mais útil e honrosa para uma mulher é o governo da casa." E depois ele escreveria que o papel da mulher seria o de "sofrer, obedecer, consentir." Enquanto a História avança, Voltaire (1674-1778) invocava um argumento pseudo-biológico para explicar a "inferioridade" da mulher: "o sangue delas é mais aquoso." Risível é a História. Mais risível ainda é nossa predisposição a realçar os tropeções da História. E isso o formato Big Brother Brasil vem fazendo à larga.
A humanidade assemelha-se a um pássaro
E contra estes cânones do pensamento universal não precisaríamos reforçar percepções tão incorretas e injustas sobre a mulher, seu potencial, seus infinitos talentos, sua certeira inteligência e sempre presente intuição – aliás, é corrente adjetivar a intuição como uma faculdade inerente à mulher. Será que Boninho, o diretor-geral do BBB9, e sua equipe, não poderiam se dar ao castigo (sim, me parece que a esses gênios da raça pesquisar a história seria um trabalho muito longe de algo reputado como prazeroso) de inventar outras formas de entreter o público, mantendo os polpudos patrocínios amealhados com um programa que reforça o que há de mais ridículo na natureza humana, qual seja, criar estereótipos depreciativos da condição humana e reforçar atitudes e comportamentos de rebaixamento da mulher ante o homem?
Nunca é tarde para aprendermos que a humanidade assemelha-se a um pássaro; uma asa é o homem e outra asa é a mulher. Um pássaro não pode alçar vôo sem o equilíbrio das duas asas.

DEMos mexem com fogo e saem queimados

Do Blog do Melo

As pesquisas apontam que o presidente Lula tem a aprovação de aproximadamente 80% dos brasileiros. O Nordeste é a região onde Lula tem o maior índice. Pernambuco é seu estado natal. E foi exatamente em Pernambuco que alguém do DEM teve a “ideia genial” de começar uma caravana atacando as obras do PAC como eleitoreiras. Quase entraram no pau.
É o que informa reportagem de O Globo hoje, na página 10. O grupo era composto pelo presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), pelo líder na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), e três ex-governadores de Pernambuco: Roberto Magalhães, Gustavo Krause (que também já foram prefeitos de Recife) e José Mendonça Filho.
Um dos moradores, o estivador Moacir Brito Batista, de 52 anos, reagiu:
- Aí é tudo enganador. Quem começou as obras do canal foram eles e nunca terminaram. Comeram o dinheiro e disseram que a obra estava feita - gritava.
Ex-prefeito e ex-governador, com várias intervenções no bairro, Magalhães tentou tirar satisfações, mas foi contido. Outros moradores fizeram o mesmo tipo de queixa. O motorista aposentado Manoel Fernandes disse que há cerca de 20 anos o bairro está abandonado e culpou o PFL (antigo nome do DEM) por ter iniciado o canal e tê-lo deixado inacabado.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Remessa de lucros sangra o Brasil

Do Blog do Miro

Nos dez primeiros dias do mês de março, as multinacionais transferiram para as suas matrizes no exterior US$ 3,266 bilhões. A sangria foi maior do que em todo o mês de janeiro e indica que a questão da remessas de lucros torna-se um gravíssimo problema para o Brasil num momento de acirramento da crise mundial capitalista. A denúncia, feito com base em dados oficiais do Banco Central, foi publicada por Carlos Lopes, editor do jornal Hora de Povo, e deveria servir de alerta às autoridades econômicas do país, antes que a “marolinha” se transforme de vez num tsunami.“Entraram no país US$ 7,169 bilhões, somando dinheiro meramente especulativo (que tem como destino a Bolsa de Valores ou títulos públicos), o ‘investimento direto estrangeiro’ (dinheiro para comprar empresas, ampliar a participação acionária externa ou empréstimos da matriz a filial de empresa estrangeira) e empréstimos externos para empresas brasileiras. Segundo o BC, a maior parte do que entrou deveu-se, principalmente, às ‘operações financeiras’. Porém, saíram US$ 10,435 bilhões em remessas de lucros e dividendos. Portanto, o país perdeu US$ 3 bilhões e 266 milhões em apenas dez dias”, enfatiza Carlos Lopes, para quem esta sangria é criminosa.

UMA PERIGOSA AVENTURA

Do site Direto da Redação

Por Antônio Tozzi

Miami (EUA) - Está cada vez mais difícil para os imigrantes entrarem de maneira ilegal nos Estados Unidos pela fronteira sul. O reforço de policiais e agentes de fronteira do Serviço de Imigração dos Estados Unidos está quase tornando inviável o ingresso de ilegais no país. Para conseguir superar este forte esquema de segurança, há somente três alternativas: arriscar-se pelo deserto à noite e tentar fugir dos agentes e policiais bem equipados, com armas e tecnologia; subornar algum (ou alguns) agente(s) da fronteira ou se aventurar pelo mar. A travessia marítima já vem sendo usada no Estreito da Flórida – tanto por cubanos, que usam a política dos pés secos/pés molhados, como por outros ilegais que cruzam a partir das Bahamas em lanchas dissimuladas que levam a bordo pessoas ocultas para enganar a Guarda Costeira americana. Agora, porém, este artifício passou a ser utilizado na Costa Oeste, com os contrabandistas de pessoas – conhecidos como coiotes – cobrando entre quatro e cinco mil dólares por pessoa para cruzar ilegais do México para os EUA. Desnecessário dizer que as chances de sucesso são diminutas, porque os agentes e policiais americanos dispõem de equipamentos e tecnologia bem mais avançados do que os dos infratores. E o número de detenção de ilegais vem aumentando consideravelmente, com os mais ousados atirando-se ao mar na tentativa de fugir dos oficiais americanos. Infelizmente, muitos acabam se afogando. O que não dá para entender é porque os latino-americanos – incluindo os brasileiros - continuam a insistir nesta aventura perigosa. Os Estados Unidos vivem uma crise sem precedentes, com um elevado índice de desemprego, crise no mercado imobiliário, que absorve bastante empregados no setor da construção civil, e um forte esquema de perseguição aos ilegais, além de todo tipo de dificuldade, tais como proibição de tirar carteira de motorista e outros documentos que são utilizados pelos norte-americanos. Além do mais, os ilegais acabam sendo levados para um terreno extremamente perigoso, na fronteira entre México e Estados Unidos, onde se trava uma verdadeira guerra entre policiais dos dois países e os narcotraficantes mexicanos e contrabandistas de armas americanos. O conflito provocou mais de sete mil mortes ligadas ao tráfico de drogas somente no ano passado e este ano a insegurança continua inalterada, apesar da Iniciativa Merida, uma ação conjunta entre os dois países para combater o poderio dos narcotraficantes, que conta com uma verba de US$ 1,5 bilhão. Em recente visita ao México, a secretária de Estado, Hillary Clinton, reuniu-se com autoridades mexicanas para reforçar o sistema de repressão às quadrilhas e admitiu que os consumidores de drogas americanos também têm culpa em manter o esquema dos narcotraficantes, por causa da lei da oferta e da procura – se não houvesse consumidores, não haveria fornecedores. Simples assim. Diante desse quadro, um conselho para os brasileiros que ainda pensam ser a vida nos EUA a realização do tal sonho americano: esqueçam! A situação por aqui está bastante difícil, e deve demorar um bom tempo para melhorar. Portanto, não é o melhor momento para abandonar família e se lançar numa aventura que tem poucas chances de dar certo.

Senado: a cultura do ascone

Do Correio da Cidadania


Escrito por Frei Betto


O Senado brasileiro acaba de extinguir 50 das suas 181 diretorias, das quais 70% criadas pelo senador José Sarney (PMDB-AM), ao presidir a Casa entre 2003 e 2005. Esse pequeno corte representa uma economia anual de R$ 4,8 milhões do dinheiro do contribuinte.

Diretorias cassadas não significam diretores desempregados. Perderam apenas o cargo e, com ele, algumas mordomias, como gratificação mensal (variável de R$ 2 mil a R$ 5 mil), uso de celular (conta paga por nós) e a vaga na garagem do Senado.

Entre as diretorias extintas se destaca a Coordenação de Apoio Aeroportuário. Para que servia? Ora, onde já se viu um senador (há honrosas exceções, felizmente) fazer o próprio check-in e aguardar embarque misturado ao comum dos mortais? Nada como dispor de um serviçal atendido por um solícito funcionário da empresa aérea, sem fila nem risco de viajar no assento do meio, enquanto o parlamentar espera confortavelmente instalado na sala VIP.

E ao desembarcar, lá está outro serviçal para aguardá-lo à porta da aeronave, prestimoso em carregar-lhe a pasta, recolher as malas na esteira e encaminhá-lo ao veículo oficial solenemente estacionado em local vetado ao cidadão comum.

Havia uma diretora do Gabinete de Coordenação e Execução (de quê?). Ingressou na Casa como telefonista e, graças à conivência de senadores, chegou à função de diretora. Entre alto salário e gratificações, permitia-se a ela estacionar, na garagem privativa do Senado, um reluzente BMW. Aliás, não era a única diretora do referido gabinete. Havia mais três!

Entre as 50 secretarias extintas, figuravam três Secretarias Técnicas de Eletrônica e, ainda, uma Subsecretaria de Convergências Tecnológicas e uma Subsecretaria de Tecnologia da Informação. Fico a imaginar a que atividades se destinavam tais órgãos. Possivelmente a instalar e reparar equipamentos eletrônicos, como computadores. O que seria "convergência tecnológica"? A padronização de linguagens informáticas ou a sincronização de programas e planilhas?

Chama a atenção que, dispondo de tanta tecnologia, o Senado ainda registre suas sessões por meio de taquigrafia. Não é tempo de gravar discursos e debates dos parlamentares em fitas magnéticas, vídeos e dvds? Continuam em plena vigência as subsecretarias de Registro Taquigráfico, Redação Taquigráfica, Revisão Taquigráfica e Supervisão Taquigráfica. Por que não usar a estenotipia?

Reza um antigo provérbio latino: "Senatores boni viri, senatus autem bestia" (Os senadores são boas pessoas, mas o senado é uma besta). Na verdade, bestas somos nós, que nem sempre somos criteriosos ao eleger nossos políticos. É verdade que, entre os 81 senadores, há aqueles que primam pela ética, não se deixam picar pela mosca azul e até ousam denunciar que a corrupção grassa entre alguns de seus pares.

The Economist, as novelas e o pobre cidadão

Do Observatório da Imprensa


Por Valmir Perez

Em matéria de 13 de março de 2009, intitulada "Para Economist, telenovelas exerceram influência positiva no Brasil", o jornal online da BBC nos informa que a revista britânica acredita firmemente que "as novelas da TV Globo podem ter exercido uma influência positiva nos hábitos e comportamentos dos brasileiros".
Segundo o jornal, essa afirmação tem sua origem num artigo publicado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) cujo título é "Soaps, sex and sociology" ("Novelas, sexo e sociologia", em tradução livre).
Para o BID, com a chegada do sinal de Rede Globo a algumas regiões, houve um aumento dos índices de natalidade e de divórcios.
A revista afirma que o fato de a Globo mostrar em suas novelas uma realidade bem diferente da vivida pela maioria dos brasileiros – "com famílias menores e mais ricas que a média" – teria estimulado modificações nestes dois importantes indicadores sociais.
Revela ainda que a venda de televisores foi estimulada pela ditadura, que queria construir "um senso de nação" num país de analfabetos e que muitos dos profissionais da televisão aproveitaram a oportunidade para atingir as massas.
Para finalizar, a BBC ainda nos repassa a informação de que The Economist brinca, afirmando que "se a Globo pudesse lançar agora uma novela sedutora sobre reforma tributária, a transformação do Brasil estaria completa".
Natalidade e divórcios
Bem, se agente ler a matéria rapidamente e sem nenhum senso apurado de questionamentos, fica parecendo que realmente as novelas da Rede Globo fizeram e fazem muito bem aos brasileiros. Vindo do BID, eu duvido! Por que o banco lançaria um artigo desses? À toa?
E por que propagandear esse artigo, à primeira vista ínfimo, numa revista inglesa tão importante?
E por que ela foi parar num jornal online inglês feito para nós, brasileiros?
Questionando algumas coisas que estão sendo afirmadas, poderemos ter uma visão bem diferente do que eles chamam de "influência positiva no Brasil".
** O aumento de natalidade (e nesse caso acima da média em determinadas regiões, que inclusive não foram citadas) interessaria a quem? Às famílias ou ao próprio sistema capitalista?
** O aumento de divórcios é positivo em que sentido? No sentido de deixar milhares ou milhões de crianças órfãos de pai ou mãe, e em certas condições dos dois? Ou de trazer à tona algo que não estaria funcionando direito dentro das famílias brasileiras?
Voto adianta alguma coisa?
** Se a Globo vem mostrando uma realidade bem diferente da maioria da população, pergunto que tipo de cultura disseminada é essa? Ela serve a quem? Porque fica claro que a população (que gostaria de ter sua cultura, gostos e modos de vida respeitados) está então sendo enganada e roubada em seu patrimônio cultural.
** O artigo revela ainda que os televisores foram estimuladas pela ditadura. Mas para que? Para levar cultura e conhecimento à população ou para exercer o tipo de escravidão cultural e de valores a que até hoje estamos submetidos? Sim, porque, como afirmam no artigo, se alguns profissionais aproveitaram para atingir as massas, os militares, treinados na época pela CIA, também não estavam fazendo o mesmo, mas com outras intenções?
** Se a transformação do Brasil seria completa caso a Globo lançasse uma novela provocando a reforma tributária, não estaria aí então a prova cabal de que somos governados pela mídia, e não pelos políticos nos quais votamos?
Se for assim então, é preciso deixar bem claro que o voto não adianta nada e que o que adianta mesmo é uma boa novelinha no início da noite.

Epidemia da violência

Do Monitor Mercantil

O retrato do descontrole de armas no Brasil é notório e para alguns especialistas já pode ser comparado a grandes problemas epidemiológicos, pois como qualquer outra epidemia as armas se apresentam como vírus letais, que se propagam principalmente em locais de forte pressão social e ausência do Poder Público. Vários estudos têm gerado dados sobre esse cenário que choca a opinião pública e ainda nos traz controvérsias se considerarmos a limitação das forças institucionais, o lucro e o custo com a própria violência.
Há décadas o Brasil vem enfrentando um sério crescimento da criminalidade que pode ser tratado como causa de saúde publica. No Rio, por exemplo, entre janeiro de 2007 e outubro de 2008, cerca de 2.500 pessoas morreram, vítimas de armas de fogo somente nos bairros cortados pela sua principal via de acesso, a Avenida Brasil.
Fato é que o subsidio dado pelo governo na campanha pelo desarmamento foi incompleto, pois se pagava pela a arma entregue, mas não se proibia a compra da nova. Será que esse dinheiro público foi para banir a arma da nossa sociedade ou foi apenas um marketing para estimular a troca do velho 38 por uma eficiente pistola de fácil manuseio, precisão e com a quantidade de tiros 10 vezes superior? Enfim, a nossa população compõe 2,8% da mundial e 8,8% das mortes no mundo, já há 10 anos, foram de brasileiros. Além disso, 80% de homicídios foram no Brasil, comprovando que aqui está difícil viver e fácil morrer.
Assim, fica o apelo da sociedade para as autoridades, definitivamente, desarmar os criminosos, banindo de vez as armas ilegais.
Marcos Espínola
Advogado criminalista.

sexta-feira, 27 de março de 2009

CUIDADO DONA JUÍZA!

Do site Direto da Redação

Por Mair Pena Neto

Confesso que já estou preocupado com o futuro da juíza da 2ª Vara Criminal de Guarulhos, que condenou a dona da Daslu a 94 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica. Onde já se viu, dona juíza, botar em cana alguém da elite brasileira por crimes assim? Já, já, vão dizer que isso é mais uma prova do estado policial brasileiro. Sinceramente, recomendo cuidado, dona juíza. Um policial federal que fez isso com um banqueiro está sendo esculachado publicamente pela mídia como se fosse ele o criminoso. O dito banqueiro foi rapidamente colocado em liberdade por obra e graça do presidente do Supremo Tribunal Federal, o mesmo da cantilena do estado policial. E com o agravante de o banqueiro ter dito antes da detenção que o STF estava dominado.Pois é dona juíza, seguro morreu de velho. Se fosse a senhora já ia me preparando. A dona da loja de artigos de luxo é muito influente. Conhece gente importante. E, assim como o banqueiro, teve o processo que a levou à cadeia originado por uma operação da Polícia Federal, de nome Narciso.A Polícia Federal tem sido muito eficiente nas ações contra criminosos de colarinho branco, mas levá-los e mantê-los na cadeia são outros quinhentos. O tal banqueiro também foi preso em operação da PF, batizada de Satiagraha, cuja legitimidade vem sendo questionada. A advogada da nova hóspede do Carandiru já disse que a prisão dela foi ilegal e que ela não resistirá à prisão por estar adoentada. Os advogados do banqueiro foram pela mesma linha e conseguiram não só difamar o policial responsável pela operação, como o juiz seu colega que decretou a prisão. Neste quesito, contou com os préstimos do presidente do STF, sempre célere nos habeas corpus e na ocupação dos espaços midiáticos.Olha, dona juíza, fica atenta. Qualquer deslize da sua vida pregressa será explorado à exaustão, por mais que em nada interfiram na sua sentença. De julgadora a senhora passará à julgada, e em pouco tempo ninguém nem lembrará mais os crimes cometidos pela dona da Daslu. Os do banqueiro eram tão ou mais graves, além do flagrante gravado ao vivo de tentativa de extorsão de policial federal.Os homens de bem continuam acreditando que o dinheiro não compra tudo, mas diante da jurisprudência brasileira nesses casos é melhor por a toga de molho. Converse com o juiz Fausto de Sanctis e conheça em detalhes o que se passou com ele. Prepare a munição, pois a artilharia tende a ser pesada.Com a admiração de quem ainda acredita no fim da impunidade no nosso país, me despeço.