quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Jornal vaza esboço de documento elitista em Copenhague

Do Portal Vermelho

O segundo dia da conferência sobre a mudança climática realizada em Copenhague, capital dinamarquesa, foi marcado por um escândalo que provocou a indignação dos países em desenvolvimento. O jornal britânico The Guardian publicou o esboço de documento final da conferência feito pelo país sede, no qual se daria mais poder aos países ricos e poria as Nações Unidas em uma posição secundária em relação às futuras negociações sobre o tema.
Segundo o The Guardian, o chamado Texto Dinamarquês, elaborado em segredo por um grupo que ficou conhecido como "círculo do compromisso", foi finalizado nesta semana e mostrado a um grupo muito restrito de países. O texto seria revelado apenas no final da conferência.No texto, os líderes presentes ao encontro seriam convidados a assinar um acordo que dá mais poder aos países ricos e remete as Nações Unidas para um lugar secundário nas futuras negociações sobre alterações climáticas.
Além disso, estabelece limite diferentes para as emissões per capita de países desenvolvidos e em desenvolvimento até 2050. Ao segundo grupo de países será permitido emitir quase o dobro de gases, segundo revelou o jorna britânico.
O texto abandona os princípios do Protocolo de Quioto, no qual as nações ricas, responsáveis pela maior parte das emissões de CO2, assumiam a liderança no combate ao efeito de estufa, enquanto as nações mais pobres poderiam agir em menor escala.
O documento entrega ainda ao Banco Mundial a responsabilidade de financiar o combate às alterações climáticas.
Ongs criticam documento
Lumumba Stanislas Dia Ping, chefe da delegação sudanesa que atualmente preside o G77, grupo que reúne 130 países em desenvolvimento, afirmou que o projeto representa uma "ameaça". "Os membros do G77 não deixarão as negociações neste estágio. Não podemos nos permitir um fracasso em Copenhague", afirmou.
Organizações ambientais também criticaram o documento. "O texto proposto pelo primeiro-ministro dinamarquês é fraco e mostra a posição elitista e sem transparência da presidência dinamarquesa”, afirmou Kim Carstensen, da organização WWF.
"As táticas de negociações debaixo dos panos, sob a presidência dinamarquesa, querem agradar os países ricos em vez de servir à maioria das nações que pedem uma solução justa e ambiciosa", acrescentou.
Antonio Hill, da Oxfam International, pediu que os líderes se concentrem no texto negociado há meses por diferentes grupos de trabalho. "A proposta dinamarquesa não deve distrair (os participantes)", comentou.
Brasil cancela entrevista

A divulgação do tal documento fez com que a delegação do Brasil na COP-15 suspendesse uma entrevista coletiva sobre o andamento das negociações para iniciar conversações com Brasília; a China mudou sua entrevista para uma sala menor, informou o jornal O Globo.

O esboço escrito pelos dinamarqueses, apoiados por britânicos e estadunidenses, foi colocado na mesa na semana passada, durante negociações preparatórias. De acordo com o brasileiro Sérgio Serra, embaixador extraordinário para o clima, o texto chegou a ser entregue a 10 ou 15 diplomatas, mas diante da reação negativa, foi retirado da mesa.

Países como Brasil, China e Índia, discordaram das propostas apresentadas no rascunho, que também sugeria que só os países "mais vulneráveis" seriam beneficiados com repasses de recursos de países ricos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

29 anos sem Lennon, seus últimos momentos

Lennon e seu assassino


Do Blog da Leila Cordeiro




Há exatos 29 anos, no dia 8 de dezembro de 1980, o ex-beatle John Lennon era assassinado em frente ao prédio onde morava em Nova Iorque, o famoso Dakota, ao lado Central Park. O crime chocou o mundo, Lennon estava em plena fase de produção musical, depois da separação dos Beatles.


O mais impressionante na história é que Lennon foi morto por um de seus fãs. Veja como tudo aconteceu.


Naquele dia 8 de dezembro, por volta das 5 da tarde, John Lennon e Yoko Ono sairam de casa para uma gravação no Record Plant Studio.


Quando caminhavam em direção à limousine deles, diversas pessoas se aproximaram para pedir autógrafos. Essa era uma cena comum que Lennon admnistrava muito bem, atendia a todos com delicadeza. O que ele não poderia imaginar é que entre aqueles fãs estava Mark Chapman, um morador de Honolulu, Hawaii, que iria matá-lo horas depois.


Chapman silenciosamente se aproximou de Lennon com uma cópia do disco "Double Fantasy". Depois de assinar o álbum, Lennon polidamente perguntou a ele: "isso é tudo que você queria?" Chapman balançou a cabeça, concordando. O fotógrafo Paul Goresh estava perto e fez a foto do encontro dos dois, a vítima e seu assassino.


Mas o crime não aconteceu naquele momento. Lennon e Ono passaram várias horas no estúdio e combinaram de jantar fora, mas antes Lennon resolveu dar um pulo em casa para dar boa noite ao filho Sean, de 5 anos.


Às 10:50 da noite, os dois chegaram ao Dakota. Fazia frio. Ono foi na frente, Lennon um pouco atrás. No arco da entrada do prédio, estava Mark Chapman, que chamou "Mr. Lennon". Quando Lennon se virou, recebeu quatro tiros de revólver calibre 38, todos em regiões vitais. Minutos depois, John Lennon morria num hospital das proximidades.

Última década deverá ser a mais quente já registrada

Da Rádio ONU


Relatório da Organização Meteorológica Mundial mostra que o ano 2009 deve figurar entre os dez mais quentes desde 1850; alterações extremas provocaram inundações devastadoras, secas severas, tempestades de neve, e ondas de calor e de frio.


O ano 2009 deve figurar entre os dez mais quentes desde 1850, quando começaram os primeiros registros do clima analisados pela Organização Meteorológica Mundial.
Trata-se até agora do 5º ano de maior calor dos últimos 160 anos, segundo relatório parcial da OMM divulgado nesta terça-feira que será usado nos debates da Conferência da ONU sobre Mudança Climática.
Década
A década entre 2000 e 2009 também deverá ser a mais quente já registrada.As temperaturas acima da média foram sentidas na maior parte das regiões, com exceção dos Estados Unidos e Canadá, que tiveram mais frio do que a média.
Alterações extremas provocaram inundações devastadoras, secas severas, tempestades de neve, e ondas de calor e de frio.
O relatório indica que o sul da Ásia e da América do Sul e a Austrália foram os mais afetados por períodos quentes e intensos, principalmente entre os meses de março e maio.
Países como o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina tiveram temperaturas diárias no outono entre 30ºC e 40ºC, números recordes para a estação. A OMM também cita o nordeste e o sul do Brasil como as regiões mais afetadas por chuvas pesadas e inundações no mesmo período.
Quente
Na África Oriental houve forte escassez de alimentos devido às secas, e no Quênia, prejuízos na colheita de milho e mortes de animais. Já na África Ocidental as tempestades em setembro afetaram mais de 100 mil pessoas.
Os dados foram coletados com informações preliminares de estações climáticas, navios, bóias e satélites. O relatório completo será publicado em março de 2010.

Crise cortou 20 milhões de empregos, diz OIT

Da BBC Brasil


Mais de 20 milhões de postos de trabalho foram cortados desde o início da crise econômica mundial, em outubro de 2008, revela um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado nesta segunda-feira. O relatório alerta ainda que quase 43 milhões de pessoas correm o risco de serem excluídas do mercado de trabalho.
"O emprego nos países ricos não vai retornar aos níveis pré-crise antes de 2013. Nas economias emergentes, a recuperação dos níveis de emprego pode começar em 2010, mas não atingirá os índices anteriores à crise antes de 2011", afirma o relatório Mundo do Trabalho 2009 – A crise global do emprego e perspectivas.
O relatório aponta que as reduções de empregos têm sido menores do que as previsões baseadas em crises anteriores. Mas a organização ressalta que a crise do emprego "é muito mais ampla do que os números sugerem".
"A economia mundial está mostrando sinais encorajadores de recuperação, mas a crise do emprego está longe de ter acabado", diz o estudo.
"Há riscos significativos de que a crise do emprego tenha implicações sociais e econômicas negativas por um longo prazo", afirma
Segundo a OIT, quase 43 milhões de pessoas podem ser excluídas do mercado de trabalho por um longo período ou mesmo definitivamente se programas adequados de estímulo ao crescimento econômico não forem adotados ou se os planos que já estão em andamento terminarem.
"Experiências em relação às crises anteriores sugerem que esse risco é crítico principalmente para pessoas com baixa qualificação, imigrantes e trabalhadores com mais idade", afirma o estudo, que analisou a situação do emprego em 51 países.
"Pessoas que entram agora no mercado de trabalho, incluindo jovens e mulheres, terão mais dificuldades para obter um emprego."

Brasil

O estudo da OIT revela que nos países em desenvolvimento "empregos com alta qualificação foram perdidos e os trabalhadores afetados provavelmente migram para a economia informal".
Nos países ricos, 10,2 milhões de pessoas perderam o emprego desde o último trimestre de 2008. Em países como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, os cortes dos postos de trabalho começaram até antes dessa data.
Nas economias em desenvolvimento, 10,7 milhões de empregos foram cortados desde outubro de 2008, sendo quase 9 milhões apenas no primeiro trimestre deste ano.
O Brasil, a China, a Rússia e África do Sul representam quase a metade do total de empregos cortados nos países em desenvolvimento.
Mas a Turquia, que perdeu mais de 2 milhões de vagas entre o último trimestre de 2008 e o primeiro trimestre deste ano, também foi afetada de maneira dramática, diz a OIT.
De acordo com a organização, o desemprego vem diminuindo desde o segundo trimestre de 2009 nos países em desenvolvimento. Alguns países, como o Brasil, vem mostrando um retorno ao crescimento do emprego, enquanto outros continuam sofrendo cortes dos postos de trabalho, diz o estudo.
"As tendências atuais indicam que o emprego nos países em desenvolvimento não vai retornar aos níveis pré-crise até o final de 2010. No Brasil, no entanto, a recuperação provavelmente será mais rápida", diz o estudo.
A OIT afirma ainda que 5 milhões de pessoas podem perder o emprego imediatamente. "Apesar da queda da demanda e da produção, as empresas mantiveram milhões de trabalhadores, frequentemente por meio de ajudas governamentais", diz o estudo.
"Eles correm o risco de perder o emprego se as atividades da empresa se tornarem inviáveis, se os governos retirarem as medidas de apoio ou se a retomada econômica não for forte o suficiente", afirma a OIT.

A blogueira Yoani e suas contradições

Do site Brasil de Fato

Por Frei Betto

Só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira. Nem sequer é vítima da segurança ou da Justiça cubanas

O mundo soube que, a 7 de novembro último, a blogueira cubana Yoani Sánchez teria sido golpeada nas ruas de Havana. Segundo relato dela, “jogaram-me dentro de um carro... arranquei um papel que um deles levava e o levei à boca. Fui golpeada para devolver o documento. Dentro do carro estava Orlando (marido dela), imobilizado por uma chave de karatê... Golpearam-me nos rins e na cabeça para que eu devolvesse o papel... Nos largaram na rua... Uma mulher se aproximou: “O que aconteceu?” “Um sequestro”, respondi. (www.desdecuba.com/generaciony )
Três dias depois do ocorrido nas ruas da Havana, Yoani Sánchez recebeu em sua casa a imprensa estrangeira. Fernando Ravsberg, da BBC, notou que, apesar de todas as torturas descritas por ela, “não havia hematomas, marcas ou cicatrizes” (BBC Mundo, 9/11/2009). O que foi confirmado pelas imagens da CNN. A France Press divulgou que ela “não foi ferida.”
Na entrevista à BBC, Yoani Sánchez declarou que as marcas e hematomas haviam desaparecido (em apenas 48 horas), exceto as das nádegas, “que lamentavelmente não posso mostrar”. Ora, por que, no mesmo dia do suposto sequestro, não mostrou por seu blog, repleto de fotos, as que afirmou ter em outras partes do corpo?
Havia divulgado que a agressão ocorreu à luz do dia, diante de um ponto de ônibus “cheio de gente.” Os correspondentes estrangeiros em Cuba não encontraram até hoje uma única testemunha. E o marido dela se recusou a falar à imprensa.
O suposto ataque à blogueira cubana mereceu mais destaque na mídia que uma centena de assassinatos, desaparecimentos e atos de violência da ditadura hondurenha de Roberto Micheletti, desde 27 de junho.
Yoani Sánchez nasceu em 1975, formou-se em filologia em 2000 e, dois anos depois, “diante do desencanto e a asfixia econômica em Cuba”, como registra no blog, mudou-se para a Suíça em companhia do filho Téo. Ali trabalhou em editoras e deu aulas de espanhol.
Em 2004, abandonou o paraíso suíço para retornar a Cuba, que qualifica de “imensa prisão com muros ideológicos”. Afirma que o fez por motivos familiares. Quem lê o blog fica estarrecido com o inferno cubano descrito por ela. Apesar disso, voltou.
Não poderia ter assegurado um futuro melhor ao filho na Suíça? Por que regressou contra a vontade da mãe? “Minha mãe se recusou a admitir que sua filha já não vivia na Suíça de leite e chocolate” (blog dela, 14/08/2007).
Na verdade, o caso de Yoani Sánchez não é isolado. Inúmeros cubanos exilados retornam ao país após se defrontarem com as dificuldades de adaptação ao estrangeiro, os preconceitos contra mulatos e negros, a barreira do idioma, a falta de empregos. Sabem que, apesar das dificuldades pelas quais o país atravessa, em Cuba haverão de ter casa, comida, educação e atenção médica gratuitas, e segurança, pois os índices de criminalidade ali são ínfimos comparados ao resto da América Latina.
O que Yoani Sánchez não revela em seu blog é que, na Suíça, implorou aos diplomatas cubanos o direito de retornar, pois não encontrara trabalho estável. E sabe que em Cuba ela pode dedicar tempo integral ao blog, pois é dos raros países do mundo em que desempregado não passa fome nem mora ao relento...
O curioso é que ela jamais exibiu em seu blog as crianças de rua que perambulam por Havana, os mendigos jogados nas calçadas, as famílias miseráveis debaixo dos viadutos... Nem ela nem os correspondentes estrangeiros, e nem mesmo os turistas que visitam a Ilha. Porque lá não existem.
Se há tanta falta de liberdade em Cuba, como Yoani Sánchez consegue, lá de dentro, emitir tamanhas críticas? Não se diz que em Cuba tudo é controlado, inclusive o acesso à internet?
Detalhe: o nicho Generación Y de Sánchez é altamente sofisticado, com entradas para Facebook e Twitter. Recebe 14 milhões de visitas por mês e está disponível em 18 idiomas! Nem o Departamento de Estado do EUA dispõe de tanta variedade linguística. Quem paga os tradutores no exterior? Quem financia o alto custo do fluxo de 14 milhões de acessos?
Yoani Sánchez tem todo o direito de criticar Cuba e o governo do seu país. Mas só os ingênuos acreditam que se trata de uma simples blogueira. Nem sequer é vítima da segurança ou da Justiça cubanas. Por isso, inventou a história das agressões. Insiste para que suas mentiras se tornem realidades.
A resistência de Cuba ao bloqueio usamericano, à queda da União Soviética, ao boicote de parte da mídia ocidental, incomoda, e muito. Sobretudo quando se sabe que voluntários cubanos estão em mais de 70 países atuando, sobretudo, como médicos e professores.
O capitalismo, que exclui 4 bilhões de seres humanos de seus benefícios básicos, não é mesmo capaz de suportar o fato de 11 milhões de habitantes de um país pobre viverem com dignidade e se sentirem espelhados no saudável e alegre Buena Vista Social Club.

Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ciro acha que Serra vai desistir do Planalto e disputar reeleição

Do Portal Vermelho

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) afirmou, em entrevista exclusiva ao colunista do UOL Notícias e da Folha de S. Paulo Fernando Rodrigues, que José Serra, governador de São Paulo pelo PSDB, dificilmente será candidato à Presidência em 2010. Segundo ele, Serra "se dará conta da derrota e abandonará a disputa já em março do ano que vem".
Na avaliação do deputado, o mais provável é que José Serra concorra novamente ao governo paulista. "Ele [Serra] é intragável no Nordeste e intolerável no Norte. O Aécio [Neves, governador de Minas Gerais] é mais aceito no Sudeste e no Sul. Mas em São Paulo, ninguém ganha do Serra".
Ciro traça um possível panorama da disputa para explicar porque haverá a eventual a desistência do governador paulista.
"O Serra, com apoio da grande imprensa e dos setores conservadores, deve começar em primeiro nas pesquisas com algo ao redor de 32%. A Dilma [Rousseff, ministra da Casa Civil], com apoio do PT, com apoio do presidente Lula, vai a 25%, 26% fácil. Então haverá 58% do eleitorado entre eles dois. Sobram aí uns 42% para mim e para a Marina [Silva, senadora (PV-AC)]. Eu vou crescer. Desses 42%, 30% pode ser pra mim. A probabilidade de eu estar em segundo lugar é real. Nesse caso, o Serra desiste e concorre ao governo de São Paulo, que é mais garantido pra ele".
Ciro afirmou ainda que Serra será "um retrocesso para o país", caso seja eleito presidente. "O Serra não gosta de pobre. [...] O cara se elege prefeito de São Paulo, nomeia para a Prefeitura setores conservadores, como o DEM, e depois fica posando de progressista", declarou.
Na semana passada, José Serra subestimou a candidatura de Ciro à Presidência. "Nem candidato ele é. O Ciro não vai fazer nada que o [presidente] Lula não queira", disse o governador em entrevista à rádio Jovem Pan de São Paulo.
Ciro comentou a declaração: "O Serra quis me diminuir por eu ser aliado do [presidente] Lula, mas eu não tenho vergonha disso, eu assumo com orgulho. Mas ele é aliado do FHC [ex-presidente Fernando Henrique Cardoso] e não assume. Por quê? Eu faço esse desafio a ele".
Candidatura à Presidência
Ciro Gomes disse estar decidido a concorrer à Presidência em 2010. Mas seu partido, o PSB, que compõe a base aliada do governo Lula, reluta em lançar candidatura própria. A cúpula do partido trabalha para que o desejo do PT - que Ciro se candidate ao governo de São Paulo - se cumpra.
"Já tomei a decisão [de concorrer à Presidência]. Agora só falta romper a barreira no meu partido. [...] Eu sei que iríamos sozinhos [na candidatura à Presidência], mas isso não é tão ruim. Ir sozinho permite falar com mais pureza, com mais clareza doutrinária".
Se a decisão for confirmada, será a terceira vez que Ciro Gomes disputará eleição ao Planalto. Em 1998, ficou em terceiro lugar, com 11% (10,97%) dos votos, atrás de FHC e Lula. Em 2002, ficou em 4º lugar, com 12% (11,97%) dos votos - atrás de Lula, José Serra e Anthony Garotinho.
O deputado não descartou, no entanto, a possibilidade de disputar o governo de São Paulo em 2010. "Pretendo concorrer à Presidência, mas não descarto ser candidato ao governo de São Paulo. Até março tudo isso estará definido". Há dois meses, um dia antes do final do prazo estabelecido pelo TSE(Tribunal Superior Eleitoral), Ciro mudou seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, gerando ainda mais expectativas sobre uma possível candidatura ao governo do Estado.

Para voltar a crer

Por Luis Fernando Veríssimo

Não faltam motivos para descrer da humanidade. Vamos combinar que fizemos coisas extraordinárias, mas nossa passagem pela Terra não está sendo, exatamente, um sucesso. Para cada catedral erguida bombardeamos três, para cada civilização vicejante liquidamos quatro, a cada gesto de grandeza correspondem cinco ou seis de baixeza, para cada Gandhi produzimos sete tiranos, para cada Patrícia Pilar 17 energúmenos. Inventamos vacinas para salvar a vida de milhões ao mesmo tempo em que matamos outros milhões pelo contágio e a fome. Criamos telefones portáteis que funcionam como gravadores, computadores – e às vezes até telefones –, mas ainda temos problema com a coriza nasal. Nosso dia a dia é cheio de pequenas calhordices, dos outros e nossas. Rareiam as razões para confiar no vizinho ao nosso lado, o que dirá do político lá longe, cuja verdadeira natureza muitas vezes só vamos conhecer pela câmera escondida. Somos decididamente uma espécie inconfiável, além de venal, traiçoeira e mesquinha. E estamos envenenando o planeta, num suicídio lento do qual ninguém escapará. E tudo isso sem falar no racismo, no terrorismo e no Big Brother Brasil.
Eu tinha desistido de esperar pela nossa regeneração. Ela não viria pela religião, que se transformou em apenas outro ramo de negócios. Nem viria pela revolução, mesmo que se pagasse para o povo ocupar as barricadas. Eu achava que a espécie não tinha jeito, não tinha volta, não tinha salvação. Meu desencanto era total. Só o abandonaria diante de alguma prova irrefutável de altruísmo e caráter que redimisse a humanidade. Uma prova de tal tamanho e tal significado, que anularia meu ceticismo terminal e restauraria minha esperança no futuro. E esta prova virá neste domingo, se o Grêmio derrotar o Flamengo no Maracanã.
Se o Grêmio derrotar o Flamengo, o Internacional pode ser campeão. Mas o mais importante não é isso. Se o Grêmio derrotar o Flamengo mesmo sabendo as consequências e o possível benefício para o arquiadversário, estará dando um exemplo inigualável de superioridade moral. A volta da minha fé na humanidade não interessa, Grêmio. Pense no que dirá a História. Pense nas futuras gerações!Crônica do Luis Fernando Veríssimo, publicada hoje em vários jornais brasileiros.

Da globalização

Do blog do Bourdoukan

Quando escrevi, citando Samuel Johnson, que a pátria é o último refúgio dos velhacos, leitores me escreveram advertindo sobre o exagero da afirmativa. Agora recorro a Bertrand Russell para proclamar que o nacionalismo é um exemplo extremo de crença ardente a respeito de assuntos duvidosos.
Nunca acreditei nessa história de nações pobres e nações ricas. Desde que o primeiro homem passou a lucrar com o trabalho de outro, o que existe de fato são explorados e exploradores. Sejam eles de que nacionalidades forem. Ou alguém acredita que o empresário brasileiro é diferente do empresário americano, chinês ou somali?
Não há a mínima diferença mesmo porque, apesar de idiomas diferentes, eles falam e sempre falarão a mesma língua. Os explorados é que falam línguas diferentes, mesmo sendo de uma mesma nação. Alguém consegue imaginar uma briga entre a Federação das Indústrias com a Federação dos Bancos ou com a Federação da Agricultura?
Já o contrário está sempre acontecendo. Os sindicatos e as centrais sindicais que representam os explorados estão sempre discutindo entre si, quando não, brigando. Não é raro considerarem-se inimigas mortais. Como se o bancário, o metalúrgico e o camponês não fossem vítimas do mesmo sistema.Por isso, sou um dos defensores incondicionais da globalização. E se hoje ela representa a Internacional Capitalista cabe aos que são contra a exploração do homem pelo homem transformá-la numa Internacional que pense na humanidade como um todo e no indivíduo como ser total.
A globalização é tão importante quanto o ar que respiramos. Falar em países é querer dividir o mundo em fronteiras, é apoiar as guerras onde as vítimas serão sempre os explorados. Ou alguém conhece algum rico que já morreu em combate?
Hoje a humanidade é administrada por um emaranhado que obedece a não mais do que quatro ou cinco corporações. E mesmo estas, têm ramificações entre si. Moldam os gostos de acordo com suas conveniências. Nos ensinam como amar, divertir, o que e como devemos ler, a que programas assistir, que esporte praticar, o que comer, impõem até o padrão de beleza.
É uma ditadura que nos faz crer que somos livres e independentes quando na verdade estamos subjugados. Transforma-nos em seres insensíveis, sem preocupação com o próximo, elimina do vocabulário a palavra solidariedade, nos torna impassíveis diante da fome, da miséria e das epidemias que matam seres humanos como se fossem insetos.
Transforma as guerras, um assassinato em massa, num jogo de videogame, para gozo e felicidade da indústria bélica. Mas como toda tese (globalização) carrega consigo a antítese (corporações exploradoras) cabe a nós lutarmos pela sua síntese (uma humanidade sem fronteiras e sem explorados).
Isso é o que conta. O resto são siglas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Governo lança novo ranking de veículos poluidores

Do Valor Econômico


Sob pressão da indústria automobilística e de produtores de etanol, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou ontem novos critérios técnicos para criar um ranking nacional de emissão de poluentes por veículos fabricados no país. A lista anterior, divulgada em meados de setembro, sofreu duras críticas das indústria por desconsiderar a compensação das emissões de dióxido de carbono (CO2) em carros movidos a etanol. Nenhum carro a gasolina recebeu nota máxima. E a lista foi ampliada de 258 para 420 veículos.
No novo ranking, o governo alterou, a pedido dos fabricantes, outros três quesitos técnicos: substituiu notas numéricas pela avaliação do mérito das emissões de gases poluentes, passou a usar dados reais da homologação dos veículos em vez das informações projetadas da linha de produção, incluiu avaliação específica para emissões de CO2 com gasolina para todos os combustíveis, mas com critérios de eficiência energética. Agora, foram considerados veículos fabricados em 2009. Antes, a lista incluía apenas carros de 2008.
As alterações nos quesitos técnicos modificaram a lista dos maiores emissores de gases poluentes. Os veículos com motores "flex fuel" deixaram o topo do ranking, agora ocupado por carros movidos exclusivamente a gasolina. Na primeira lista, os cinco menos poluentes eram os modelos Ford Focus 2.0, Honda New Fit EX 1.5, Nissan Tiida 1.8, Honda New Fit LXL 1.4 e Ford Edge 3.5. Todos movidos a gasolina. Agora, os cinco melhores foram os modelos Fiat Idea Adventure Dualogic 1.8, Fiat Palio ELX 1.8, Fiat Siena HLX 1.8 e os Fiat Stilo Flex Dualogic 1.8 e Blackmotion 1.8: todos com motores "flex fuel" a gasolina e etanol. "É mais rígido e mais justo", diz o coordenador do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Paulo Macedo. "A nova lista premia os renováveis e, como avalia veículos fabricados em 2009, ajuda a influenciar a compra do consumidor".
Macedo informou que todos os veículos terão novas análises a partir das alterações em suas "homologações" feitas pela indústria. "Todo novo veículo entrará no ranking. Isso estimula a indústria a melhorar porque os novos dados vão mudar o ranking". Os dados da homologação são mais próximos da emissão real de poluentes. "Eliminamos eventuais variações de desvios na produção. Já está pronto para ensaio. Na produção, há algumas incertezas. É a emissão real, sem interferências", disse o coordenador do Ibama.
Pelos novos critérios, foram atribuídas até duas estrelas para as menores emissões de CO2 e até três estrelas para os chamados poluentes locais (monóxido de carbono, hidrocarbonetos queimados e óxido nitroso). "Antes, era só nota numérica. Agora, fizemos uma escala em estrelas", disse Paulo Macedo. Para motores com emissões de poluentes abaixo de 60% dos limites legais, a lista confere três estrelas. "Passamos a fazer ensaios a gasolina e a álcool", afirmou Macedo. Se o motor emitir entre 60% e 80% do limite, tem apenas duas estrelas. Para veículos acima de 80% do limite, só uma estrela é concedida. Todos os veículos movidos a "combustível renovável", como o etanol, ganha uma estrela adicional. "A cana absorve CO2 na produção e anula as emissões". Outra estrela é concedida pela eficiência. Se o motor emitir acima de 80 gramas de poluentes por quilômetro, não ganha estrelas. "E nenhum carro a gasolina terá cinco estrelas", disse.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SUSPEITOS E INSUSPEITOS

Do Direto da Redação

Por Eliakim Araujo

A coluna de hoje começa com uma inocente pergunta: se José Roberto Arruda já tinha sido pego em flagrante em 2001 no escândalo de violação do painel de votação do Senado, por que lhe foi permitido voltar à política como deputado e mais tarde como governador do DF?
Se me disserem que a lei permite que os políticos estão isentos de punição desde que antes renunciem ao mandato, então mude-se essa lei com urgência urgentíssima. Ela é um convite à safadeza, uma porta aberta aos inescrupulosos gatunos que sabem por onde escapar se forem pegos com a boca na botija. E o dinheiro do qual se apropriaram, também é esquecido se o gatuno renuncia antes da punição?
Se ainda resta alguma dignidade no Parlamento brasileiro, esse dispositivo legal precisa ser defenestrado imediatamente da nossa prática política.A coluna segue com outra pergunta. O que se passa na cabeça do eleitor de Brasilia que reconduziu à política um confesso desonesto que usou o artifício legal da renúncia para não ser cassado?
Não é preciso pesquisar muito para se saber que Arruda construiu sua carreira aliado a políticos de honestidade duvidosa e negócios suspeitos no exercício do munus público. A Wikepedia está ao alcance de qualquer eleitor brasiliense. E está lá, pra quem quiser ler, que Arruda, como secretário de obras do “insuspeito” Joaquim Roriz, foi responsável pela execução de uma das obras mais polêmicas do governo, o metrô de Brasilia, que “tempos depois teve sua obra embargada por suspeitas de irregularidades”.
Também está dito lá que, em 2001, como líder do governo FHC no Senado, Arruda envolveu-se no famoso escândalo da violação do painel eletrônico quando se votava a cassação do ex-senador Luis Estevão. Depois de jurar de pés juntos sua inocência, acabou confessando sua culpa na tribuna do Senado, enquanto anunciava sua renúncia para escapar da cassação inevitável, que poderia torná-lo inelegível por 9 anos.
Perdeu o lugar no ninho tucano e correu para os braços do “insuspeito” Joaquim Roriz, com quem havia brigado, e abrigou-se sob o manto “insuspeito” do PFL. A jornada do inferno ao paraíso político não demorou mais que um ano e meio. Arruda voltou ao Parlamento como o deputado federal mais votado de Brasília.
Em 2006, tendo como vice outro “insuspeito” político brasiliense, o empresário da construção civil, Paulo Octavio, Arruda elegeu-se governador do DF, sob a égide de “acordos escusos entre os dois”, como denunciou a imprensa na época. O resto da história todo mundo sabe. Arruda está em vídeos espalhados por todo país recebendo pacotes de dinheiro para comprar deputados da base aliada.
Arruda não pode sair impune do atual escândalo. Não basta sofrer o impeachment. Ele precisa ser punido exemplarmente, até com pena de prisão, como acontece em outros países, e transferir aos cidadãos de Brasilia cada centavo que recebeu de propina de empresários tão desonestos como ele.
A mão pesada da Justiça deve cair sobre toda quadrilha, do governador aos deputados que recebiam propinas, sem esquecer dos empresários que doavam dinheiro em troca de favores.
Espera-se que o Supremo, se chamado a intervir, não inverta os papéis e transforme os policiais responsáveis pela Operação Caixa de Pandora em vilões da história.