sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fernando Lyra não tem papas na língua.

Do Terra Magazine


Por Bob Fernandes, na Terra Magazine.


Desde que era um “autêntico” do MDB. O termo, cunhado num histórico encontro no Recife, início dos anos 70, presentes entre os “autênticos” o próprio Lyra e os então deputados Chico Pinto e Alencar Furtado. MDB, ainda sem o P imposto pela ditadura, dos tempos em que o partido combatia e não servia e servia-se do poder de plantão. E o poder de plantão era o dos generais-ditadores.

No enterro formal da ditadura de 21 anos, Fernando Lyra foi dos mais próximos, senão o mais próximo, dentre os articuladores da candidatura Tancredo Neves à presidência da República. Um pouco dessa história ele conta no livro Daquilo que eu Sei, lançado em março último (Editora Iluminuras).

Ministro da Justiça nomeado por Tancredo seguiu no cargo por 11 meses, já sob a presidência de José Sarney. Experimentado homem de poder, conhecedor dos atalhos e caminhos da Brasília oficial, Fernando Lyra é direto, e duro, nessa conversa com Terra Magazine.

O assunto é a mal disfarçada troca de chumbo entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e setores das primeiras instâncias da Justiça, entre Mendes e o Ministério Público, entre Mendes e porções - cada vez mais acuadas - da Polícia Federal.

Troca de chumbo, sempre, no rastro de alguma operação da Polícia Federal que leve para a prisão algum representante daquilo que Lyra chama de “O Brasil de cima”.

O ex-ministro da Justiça diz:

- O presidente do Supremo Federal, Gilmar Mendes, está falando demais. Demais mesmo…Ele comenta todos os casos, principalmente os crimes que envolvem a elite…

Para deixar mais claro o que pensa, Lyra especifica:

- Ele fala o tempo todo sobre o Brasil de cima, mostra suas preocupações com isso, enquanto no Brasil de baixo nunca se sabe quem morreu, assim como não se sabe quem matou. Essa situação de hoje é a explicitação do apartheid. Os crimes que a ele parecem interessar são os da elite, onde surge a elite, o resto é abandonado ao silêncio, como se todos fossem apenas criminosos. Mas alguém aí sabe quem matou, quem morreu? Alguém investigou, verificou, confirmou? E se é pra falar, alguém falou?

Terra Magazine - A polícia do Rio de Janeiro ocupou a Ladeira dos Tabajaras e os mortos foram quatro. Numa outra semana foram cinco de uma vez só, em Salvador tem sido mais de uma dezena por semana, no Recife também, e Brasil afora são centenas de mortos sem rosto e sem nome a cada mês. Supostamente todos seriam bandidos. No entanto, já há uma semana as manchetes são basicamente sobre prisões “arbitrárias”, os “excessos” da Polícia Federal, do juiz, do Ministério Público… Outra vez estão em julgamento os juízes, os procuradores, a polícia e não os acusados de cometer crimes. Não há algo estranho no ar?

Fernando Lyra - Primeiro, há uma questão que o País evita que é o consumo assustador de drogas por parte das classes média e alta, e o que se deveria fazer diante disso.
Alguma sugestão? Não há uma estratégia nacional de segurança e nem mesmo há o debate verdadeiro sobre essa questão que é gravíssima e não apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo, aqui em Pernambuco também é, como é na Bahia, no Brasil inteiro. Aliás, é questão grave no mundo inteiro e já há países que a enfrentam.

E vendo isso sob outra perspectiva, que não apenas a do cotidiano?

Há, realmente, algo muito estranho. O judiciário é um poder fechado, não se tem informação clara do que acontece nos seus meandros, e o que se vê é uma grande confusão no debate. Isso está refletido nas manchetes.

O senhor se refere às manifestações de juízes, procuradores, policiais federais, em resposta às manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes?

Exatamente. O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, está falando demais. Demais mesmo, muito mais do que seria prudente e desejável. Ele comenta todos os casos, principalmente os crimes que envolvem a elite. E não falo aqui sobre o conteúdo dos seus habeas corpus, das suas decisões como juiz, me refiro à maneira como ele tem se portado…

Que maneira seria essa?

Ele se porta como se fosse a maior autoridade no Brasil, coisa que ele não é. Ele é, circunstancialmente, presidente de um poder. E eu não vejo ele se pronunciar sobre essa mortandade, sobre essa matança toda no Brasil. Ele tem se pronunciado sobre, principalmente, casos que envolvem a elite.

O noticiário indica claramente um choque, atritos, entre instâncias da Justiça, setores da Polícia Federal, do Ministério Público. Essa excitação toda teria a ver com isso?

A impressão que se tem é que tudo isso é uma resposta aos comentários do presidente do Supremo, ao seu falar demais. A opinião pública se confunde, não consegue entender porque ele se pronuncia sempre em relação a juízes, policiais, promotores, enquanto não toca no assunto dos réus. Ele fala o tempo todo sobre o Brasil de cima, mostra suas preocupações com isso, enquanto no Brasil de baixo nunca se sabe quem morreu, assim como não se sabe quem matou. Essa situação de hoje é a explicitação do apartheid. Os crimes que a ele parecem interessar são os da elite, onde surge a elite, o resto é abandonado ao silêncio, como se todos os mortos fossem apenas criminosos. Mas alguém aí sabe quem matou, quem morreu? Alguém investigou, verificou, confirmou? E já que é pra falar, alguém falou?

Nos dê um detalhe desse “clima de excitação” no cotidiano.

Esse clima não está apenas nas manchetes dos telejornais e da mídia do Sul e Sudeste. Aqui no Recife, por exemplo, nas televisões e rádios, entre 11h30 da manhã e 1h30 da tarde, só tem assassinato, morte, estupro, seqüestro…numa feroz disputa pela audiência. Uma posição correta sobre qualquer assunto não é notícia, não atrai o público, o que sobra é a versão divulgada.

Isso não é um tema para o Ministério Público?
Certamente também para o Ministério Público. Temos que deixar de lado, um pouco, o Brasil de cima e prestar atenção no que acontece no Brasil de baixo.

Castel de Hipocrisia

Do Blog Guilherme Scalzilli

Investiga-se um vasto esquema de corrupção envolvendo quase todo espectro político nacional, ministros do Tribunal de Contas da União e uma das maiores empresas do país, e tudo que a grande imprensa consegue é pedir temperança à autoridades e criticar os servidores que nada fazem além de cumprir seu dever funcional.Onde está agora a turma do “Cansei”? Não era apartidário e desapegado? E a OAB, calará? Ou defenderá a concessão de habeas corpus para empresários, enquanto pobres diabos padecem anos nas masmorras do sistema penitenciário sem que alguém descubra que suas penas já expiraram ou seus processos foram irregulares? E as redações, estarão dispostas a investigar todos os casos de abusos policiais ocorridos nas delegacias da capital paulista, ou sua indignação só serve para a Daslu e a Camargo Corrêa? E os nobres ministros do STF, perderão a pressa, ou violarão procedimentos para impedir que os crimes da Camargo Corrêa prescrevam? E os probos parlamentares da oposição, não lhes interessa agora propor uma CPI?Um bando de hipócritas ideológicos, eis o que são. É fácil comparar negativamente as atuações de nossos promotores e delegados federais com as dos congêneres estadunidenses, mas não se ouviu uma só voz na imprensa gringa chamando a prisão de Bernard Madoff de pirotecnia ou exagero. Agora que o esqueleto apareceu no baú de PSDB, DEM (PFL), Fiesp (a Fiesp, senhores!) e asseclas, os jornais abraçam a prudência e o rigor apurativo. Engraçado lembrar Freud Godoy, né mesmo?Mas há de se ter um certo cuidado com tudo isso. Bastou Paulo Skaf inventar uma candidatura a governador paulista (atrapalhando os planos de José Serra para 2010), e surge misteriosamente uma ação da PF jogando areia na idéia. Algo semelhante aconteceu com Roseana Sarney, em 2002.

Livro mostra que meios de produção do país pertencem a 6% da população

Da Agência Brasil

São Paulo - Os meios de produção de riqueza do país estão concentrados nas mãos de 6% dos brasileiros. É uma das conclusões apresentadas no livro Proprietários: Concentração e Continuidade lançado hoje (2), na sede do Conselho Regional de Economia (Corecon), em São Paulo.
A publicação é o terceiro volume da série Atlas da Nova Estratificação Social do Brasil, produzida por Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e vários economistas do órgão. Do livro, consta um levantamento que revela que, de cada 20 brasileiros, apenas um é dono de alguma propriedade geradora de renda: empresa, imóvel, propriedade rural ou até mesmo conhecimento – também considerado um bem pelos pesquisadores.
Em entrevista coletiva organizada para o lançamento do livro, Pochmann afirmou que a concentração das propriedades no Brasil é antiga e remete aos tempo da colonização. Desde a concessão das primeiras propriedades agrícolas, passando pela industrialização ocorrida no século 20, até o aumento da atividade financeira, os meios de produção sempre estiveram sob controle da mesma e restrita parcela da população nacional.
"A urbanização aumentou o número de propriedades e de proprietários, mas não acompanhou o aumento da população. A concentração permanece. Nós [brasileiros] nunca vivemos uma experiência de democratização do acesso às propriedades no nosso país”, disse.
De acordo com o livro, os proprietários brasileiros têm um perfil específico comum. A grande maioria tem entre 30 e 50 anos de idade, é de cor branca, concluiu o ensino superior, e não tem sócios.
Para Pochmann, o quadro da distribuição das propriedades brasileira é grave. O Brasil tem seus meios produção de riqueza mais mal distruídos entre os países da América Latina, por exemplo. E isso não deve mudar em um curto prazo, segundo o economista.
“Estamos fazendo reforma agrária desde os anos 50 e nossa distribuição fundiária é pior do que a de 50 anos atrás; nossa carga tributária onera os mais pobres; a única coisa que vai bem é a educação”, afirmou ele, citando dados que apontam que o percentual dos jovens que frequenta a universidade passou de 5,6%, em 1995, para cerca de 12%, em 2007.
Pochmann disse porem que mesmo com o aumento dos índices da educação, ele ainda está muito aquém do encontrado na Europa, onde 40% dos jovens têm diploma universitário. Ressaltou também que a mudança da distribuição das propriedades por meio da educação é a forma mais lenta de justiça.

Crise já fechou 120 jornais nos EUA

Do site Vermelho

Desde janeiro de 2008, 5 mil jornalistas já estão desempregados e 120 jornais fecharam ou apenas possuem edições on-line nos Estados Unidos. É o que aponta um relatório anual do Centro para a Excelência em Jornalismo do Pew Institute, que foi divulgado na semana passada e mostra os estragos feitos pela crise na imprensa americana.
As receitas publicitárias no setor caíram cerca de 23%. Segundo o Diário de Notícias, existe um debate sobre a intervenção do Estado para conter as demissões e os fechamentos. Benjamin Cardin, senador democrata, lançou a Lei de Revitalização dos Jornais. Espécie de “Proer da mídia”, a medida pretende converter as empresas de comunicação em organizações sem fins lucrativos, para ajudá-las e oferecer isenções fiscais.

A concentração dos meios de comunicação e a não-intervenção do Estado são citadas como possíveis causas da crise, já que as entidades reguladoras não atuaram no mercado para impedir o aglutinamento. Segundo Paul Gillin, ex-jornalista e especialista em marketing de meios de comunicação, é preciso descobrir um padrão econômico que possa dar continuidade aos jornais, impressos e on-line.

"As empresas de informação têm de focar os seus investimentos na cobertura das notícias em nível local e no desenvolvimento de modelos de publicidade que tirem partido dos benefícios das audiências locais”, diz Gillin. Segundo ele, a internet precisa ser mais explorada, focando as notícias regionais.

"A internet é ótima para espalhar uma mensagem publicitária em dimensão global, mas não funciona muito bem em nível local. E é aí que os jornais podem reforçar a sua presença, aproveitando essa oportunidade", complementou o especialista.

Da Redação, com informações do Adnews

Medo do desemprego retrai o consumidor

Do Monitor Mercantil

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado nesta quinta-feira pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o risco do desemprego está desmotivando o brasileiro a consumir.
"A deterioração do mercado de trabalho, que se manifesta no desemprego, foi o ponto mais importante apontado pela pesquisa. Constatamos que para 70% da população, o desemprego vai aumentar (51%) ou vai aumentar muito (19%)", disse o gerente de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
Para Castelo Branco, "o medo de perder o emprego faz com que as pessoas fiquem mais receosas de consumir, tomar créditos, financiamentos ou assumir prestações". De acordo com ele, esse temor afeta principalmente o consumo de bens de maior valor, "por dependerem do comprometimento da renda futura".

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Crianças consumidoras: onde se quer chegar?


Do site Envolverde


Por Reinaldo Canto


É interessante notar como acontecimentos inusitados imprimem em nossa vida constantes transformações, moldando nossos pensamentos e nossas ideias. A chegada de um ser especial faz tudo mudar, ou melhor, trás novos sentidos para muitas das mesmas questões.A preocupação com a preservação ambiental, com a exaustão dos recursos naturais e com a perda da biodiversidade sempre foram encaradas, sem levar em conta a finitude da minha própria vida. A indignação com o nonsense pela forma como o ser humano tem lidado com o nosso sofrido planeta, já era motivo suficiente para fazer parte da batalha por corações e mentes em busca dessa difícil convivência entre o homem e a natureza.Aí chega a paternidade e a visão se amplifica e ganha novos horizontes e contornos. Novas velhas perguntas passam a receber um olhar ainda mais crítico e atento: Minha filha vai crescer num planeta mais triste, com mais fome, guerras e destruição? O mundo que conhecemos hoje será muito diferente e pior de se viver daqui há 20, 30, 40 anos?São perguntas que vêem seguidas de um arrepio na espinha ao imaginar para minha filha, que ainda não completou dois anos de idade, uma herança bastante amarga.. Fatos não faltam para fazer esse tipo de afirmação. Escassez de água e de produção de alimentos não são visões de catastrofistas de plantão, mas a pura realidade com sinais bastante claros para nenhum cartesiano colocar dúvida.


Das atuais para as próximas gerações


A esperança reside na expectativa de que, se soubermos orientar e educar as nossas crianças e jovens para frear o consumo e o desperdício desenfreado, além de respeitar as outras criaturas que habitam o planeta, estaremos contribuindo para formar as novas gerações com valores muito mais positivos em prol da sustentabilidade.. Agora, a tarefa não é nada fácil. Começando pela simples observação de que temos feito muito pouco para mudar essa realidade. A nossa geração já tem elementos e informação suficientes sobre as graves conseqüências que a sociedade de consumo, ávida por energia e recursos naturais, vem causando notadamente nos últimos anos. Mesmo assim continua a consumir muito mais do que o planeta consegue repor. Nossos lixões e aterros sanitários, principalmente em grandes capitais brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro, entraram em colapso, como já alertou o jornalista Washington Novaes, em seus artigos no jornal O Estado de São Paulo. E, muitos desses materiais, ou melhor, pelo menos 30% de tudo o que vai abarrotar esses lixões e aterros sanitários são perfeitamente reaproveitáveis ou recicláveis e poderiam ter um destino mais nobre e reduzir os impactos ambientais causados pelas cadeias produtivas e seus consequentes descartes. Recentemente, o escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu um artigo indignado contra a cultura do descartável. Galeano lembrou a sua infância e a utilização quase total de todo tipo de material. No Uruguai de 50 anos atrás, tudo era reaproveitado e até mesmo transformado em brinquedos como tampas e latas. Desperdício de alimentos, então, nem pensar. Cascas e restos de alimentos viravam doces, compotas deliciosas, o que aliás não diferencia muito das antigas estórias de muitas famílias brasileiras.Não é que não existam mudanças ou novas atitudes em busca de um mundo mais sustentável. Aqui e ali surgem projetos dignos de nota: projetos de reciclagem, de redução de gastos de energia, de reaproveitamento de água e por aí afora. Mas convenhamos que diante do comportamento da maioria, é caminhar a passos de tartaruga, enquanto os efeitos do aquecimento global, da perda de florestas, da contaminação da água, correm a jato. Todos nós, uns mais outros menos consumimos mais do que das nossas reais necessidades e as possíveis exceções só confirmam a regra. É exatamente aí que quero chegar: que lições estamos passando para as futuras gerações? E quais as contribuições que podemos dar aos nossos filhos?Com certeza, o primeiro passo é ampliar nossas ações. Pensar nos 3 Rs - acrescidos de um R inicial proposto pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente (Repensar; Reduzir; Reutilizar e Reciclar. Depois colocar em prática e viver uma vida mais simples e saudável. No caso das crianças, trocar o material, ou seja, mais uma boneca, ou um novo carrinho por mais afeto e compartilhamento de momentos em família, como um passeio ao ar livre, por exemplo. Os terapeutas são unânimes em afirmar que o afeto é mais importante que o material e o contato com a natureza é a melhor maneira de fazer com que as crianças a admirem e respeitem.Se elas vão receber um planeta mais caótico para se viver, nós temos no mínimo, o dever de orientá-las desde os seus primeiros passos. E isso, é claro, não é responsabilidade apenas dos pais, mas da escola, dos governos e também das empresas que precisam fazer a sua parte em prol de um mundo melhor.


Bombardeio publicitário


Se a vida já não parece fácil, a nossa tarefa, como pais, fica ainda mais difícil e complicada quando assistimos pasmos, a publicidade insana voltada para as crianças. São anúncios na televisão, outdoors e vitrines de supermercados que se utilizam de todos os recursos para atrair os pequenos. São brinquedos e alimentos muito atraentes na sua apresentação e pouco saudáveis em muitos sentidos, seja para o planeta, como também para a saúde das crianças. É o caso de brindes associados a alimentos industrializados e fast-foods pouco nutritivos e muito calóricos responsáveis pela incidência da obesidade infantil.Organizações de defesa do consumidor, como o IDEC e o Instituto Alana, há tempos lutam contra a publicidade infantil que, aliás, já é proibida em muitos países desenvolvidos. Em recente entrevista, a coordenadora de educação e pesquisa do Instituto Alana, Laís Pereira, afirmou que crianças até os 12 anos ainda não formaram um pensamento crítico sendo presas fáceis da publicidade irresponsável. Outra informação da pesquisadora, que é também bastante preocupante para pais e educadores, se refere às crianças de até quatro anos de idade. Segundo ela, nessa faixa etária, a criança não distingue a diferença entre publicidade e conteúdo de um programa. As agências de propaganda e as indústrias responsáveis por esses produtos costumam alegar que quaisquer proibições aos anúncios constituem restrições a liberdade de expressão e de informação. Não creio que isso faça sentido. Antes de mais nada essas bem vindas restrições viriam ao encontro do que estabelece o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Instrumentos do mais alto nível que vem contribuindo e muito para o aprimoramento da democracia e da cidadania em nosso país e proteger os direitos mais elementares da nossa sociedade e das nossas crianças.Esses são apenas alguns exemplos dos enormes desafios pelos quais nós pais temos que lutar. E é evidente que tais lutas vão muito além de nossas atitudes pessoais. É preciso agir também coletivamente ao participar e enfrentar forças que, muitas vezes, tem como interesse apenas os ganhos imediatos e como resultado final, enormes prejuízos sociais. O futuro dos nossos filhos é uma boa razão para manter a espinha ereta e o olhar firme no horizonte. As crianças merecem essa chance.


* Reinaldo Canto é jornalista, ex-Diretor de Comunicação do Greenpeace e ex-Coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. BLOG – cantodasustentabilidade.zip.net

Brasil anistia Miguel Arraes, após 45 anos

Do Jornal Correio do Brasil

Ministro da Justiça, Tarso Genro assinou, nesta quarta-feira, a portaria que concede anistia política ao ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes. Há 45 anos, quando um golpe militar instalou a ditadura no país, o então governador foi preso pelos militares e conduzido para fora do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo do Estado. Tarso assinou a portaria neste mesmo local.
O ato foi realizado na abertura da 20ª Caravana da Anistia, com a presença do governador do Estado, Eduardo Campos (PSB), neto de Arraes, do prefeito de Recife, João da Costa (PT), do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Mozart Valadares Pires, e do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão.

Crise - Hora de manter a calma!

Do Monitor Mercantil

As informações sobre os reflexos no Brasil que terá a crise econômica que o mundo atravessa não são positivas. Fazendo um rápido resumo das últimas notícias sobre o tema, a Associação Comercial de São Paulo divulgou que as vendas a prazo no varejo em São Paulo caíram 6% em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Além disto, a inadimplência aumentou 9,5% em janeiro na maior economia do país. Já os carnês quitados ou renegociados (registros cancelados) caíram 2,3% na comparação entre janeiro de 2009 e 2008.
Isso somado aos dados de 2008, quando a inadimplência dos consumidores aumentou 8% comparado ao acumulado de janeiro a dezembro do ano anterior, segundo dados do Serasa, e ao quadro cada vez maior de aumento do número de desempregados no país, criam um panorama assustador para os próximos meses, fazendo com que entremos em desespero, correto? Não, muito errado.
O que me assusta mais do que a crise, atualmente, é o cenário de caos pintado por alguns especialistas para a população, direcionando para que não sejam realizadas compras. Outro dia, ao assistir um consultor na televisão, pensei que as pessoas que também viam o programa deviam estar com vontade de voltar para a cama e só sair quando a crise passar. Muitos consultores não percebem que com isso estão prestando um desserviço para a economia, gerando a queda do consumo e um aumento do desemprego, num verdadeiro "círculo vicioso" de crise. Por outro lado, é lógico que também não devemos sair gastando todas nossas reservas para salvar o país.
Em períodos de crises como esse é que se torna mais importante que as pessoas mantenham a calma, tomando o controle de sua vida financeira, vendo qual é a real situação. Contudo, também é importante cortar gastos supérfluos, adequando a uma nova realidade de padrão de vida, realizando compras normalmente e principalmente, continuando a realizar os seus sonhos.
Para quem hoje encontra-se endividado, essa é uma ótima hora de negociar as dívidas e pagá-las. Como fazer isso? A única alternativa é se conscientizar da importância de mudar sua cultura e hábitos financeiros. Uma boa gestão financeira é fruto de uma série de pequenas ações e atitudes que levam ao controle das contas.
Assim, primeiramente deve-se elaborar um diagnóstico financeiro, registrar por 30 dias para onde está indo seu dinheiro e montar seu verdadeiro orçamento financeiro, com o domínio de seu dinheiro estará pronto para uma possível negociação com seus credores, mas todo cuidado é pouco, as prestações desta negociação deverão caber no orçamento. Caso não seja possível, seja honesto com seu credor e relate a real situação, pedindo mais algum tempo para saldar a divida.
Para quem não está endividado, mas também não tem reservas, é hora de guardar dinheiro, investindo em alternativas conservadoras, pelo menos 20% devem ser direcionado para poupar, conforme oriento no livro Terapia Financeira (Editora Gente). Mas, para quem já possui dinheiro suficiente para realizar seu sonho de consumo, é um ótimo momento para realizar a compra à vista, fazendo uma boa pesquisa de preços e solicitando um bom desconto. Tenha a certeza que em quase a totalidade dos produtos e serviços existe uma margem de desconto a ser obtida, só é preciso perder a timidez e tomar a atitude. As maiorias das lojas estão em liquidações e este pode ser um bom momento para comprar, mas compre somente o necessário sem exageros, lembre-se é um momento de se estruturar financeiramente e criar reservas para realizar futuros sonhos e desejos.
Um importante alerta, evite parcelamentos, mesmo dentro de um planejamento financeiro, pois as taxas de juros continuam extremamente altas. Assim, o grande segredo nesse momento é não entrar em pânico perante o cenário que alguns economistas apresentam. Apesar de não ser nenhuma "marola", é importante ter consciência que a crise também não será nenhum "tsunami", que devastará tudo, é preciso cautela, atenção, muita disciplina e educação financeira.
Reinaldo Domingos
Educador e Terapeuta financeiro. Também é autor do livro "Terapia Financeira" - (Editora Gente), e criador da Metodologia DiSOP - Educação Financeira - Presidente do DiSOP Instituto de Educação Financeira - (www.disop.com.br)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Preconceitos e desvalorização da condição humana

Do Observatório da Imprensa


Por Washington Araújo

É de impressionar a capacidade que nossa caixinha mágica tem de expor pessoas ao ridículo, fustigar valores universais como crença e etnia, trazer à tona velhos preconceitos e provocar na audiência a adesão a um tipo de humor de desvalorização da condição humana. É o que vem acontecendo com o Big Brother Brasil, já em sua 9ª edição, ao manter confinado um número de pessoas que busca o prêmio maior de R$ 1 milhão e prêmios menores, que incluem uma casa, vários carros, dezenas de celulares, computadores etc., toda essa vitrine de dar água na boca de seus ávidos consumidores, que chegam embalados pelo marketing dos produtos que patrocinam o "programa".
A inovação desta edição (pode até ter começado na edição 2008) é a criação de castigos semanais a serem cumpridos por um ou mais dos participantes. É aqui que está o ponto. Em geral, o escolhido precisa vestir uma roupa especial por um período de tempo que pode chegar a 48 horas, é privado de algum conforto físico e recebe o comando de realizar uma tarefa a cada toque de uma sirene. O que se espera dos "escolhidos"? Ora, que fiquem irritadiços, cansados e prestes a ter um ataque de nervos. A carga negativa dos "castigados" se volve primeiro para quem os indicou e depois transborda para o grupo. Ou seja, o castigo abre margem para muita discórdia. O BBB é um programa que fatura (e muito) expondo as mazelas da condição humana e é alavancado pelo nível de discórdia que impeça um clima mínimo de civilidade e bom relacionamento social dentro da casa da Globo em Jacarepaguá.
Se fosse índio, me sentiria ofendido
Voltemos aos castigos. Estes são, na maioria das vezes, infames. Vejamos alguns deles:
Um casal deve se vestir de índios (obviamente índios norte-americanos, com modelos, plumas, colares e cores dificilmente encontráveis em qualquer nação indígena no Brasil) e são obrigados a fazer a dança da chuva cada vez que toca o sinal. A maneira como uma longeva tradição indígena é retratada é uma forma pouco sutil de ridicularizar os povos indígenas e passa a mensagem de quão ingênuos (para não dizermos outro adjetivo) estes são. Não é de hoje que a cultura indígena é objeto de escárnio da auto-proclamada civilização branca. Alguns exemplos? Quando alguém não tem o que fazer numa noite de 3ª ou 5ª feira o que diz que vai fazer? Um programa de índio. Algo muito desinteressante, sem graça que… somente poderia ser feito por um ou mais índios. Quando alguém fala um português sem dominar a gramática e sem muita noção do uso deste ou daquele vocábulo como o sujeito é referido? Ah, ele fala igual a um índio. Depois dessa exposição caricata e pejorativa para com os valores dos primeiros habitantes das Américas, ainda temos que conviver com a hipocrisia ensinada em muitas das nossas escolas que respeitamos nossos índios, valorizamos seus costumes, admiramos suas crenças. Entendo que o castigo imposto ao casal para dançar dezenas de vezes a dança da chuva, a caráter, é de um ridículo somente superado pelos castigos posteriormente apresentados no mesmo programa. Se fosse índio me sentiria bastante ofendido e entraria com uma representação na esfera do Judiciário. Provavelmente não daria em nada tal representação, mas ao menos vocalizaria minha dor, embora com muito menor visibilidade que aquela alcançada pelo programa apresentado por Pedro Bial e seus heróis.
Os tropeções da História
Há poucos dias, uma participante foi escolhida para o tal castigo do monstro. A jovem deveria, vestida de galinha (isso mesmo, de galinha), chocar um ovo no jardim sempre que escutasse o som de pintinhos. Isso seria cumprido à risca por 48 horas. Como seria bom se a azarada selecionada para a performance pudesse dizer em alto e bom som: "Recuso-me a me vestir de galinha porque não sou galinha. Recuso-me a chocar ovos porque não sendo uma galinha não é inerente à minha condição humana. Peço que bolem outra tarefa menos ridicularizante de minha condição de mulher."
Um discurso desses dificilmente – se não, impossível – alguém iria ouvir da boca de uma jovem sequiosa para conquistar o seu sonhado R$ 1.000.000,00. Mas seria um discurso verdadeiro. O castigo traz consigo uma realidade que não quer calar em nosso país: somos machistas e não conseguimos fingir o contrário por muito tempo. Claro que poderia ter sido escolhido um homem para cumprir o castigo. Mas, digam-me, senhores leitores, sendo um homem aquele a escolher quem vai se expor ao ridículo por dois longos dias, será que lhe passaria pela cabeça optar por um homem? Os preconceitos contra as mulheres vêm de muito longe. Estão em textos sagrados: São Paulo advertia contra as mulheres. Santo Tomás de Aquino afirmava ser a mulher um ser "ocasional" e "acidental". No Livro de Provérbios (11:22), a mulher é redimida enquanto posse do homem: "A mulher virtuosa é a coroa de seu marido, mas a que procede vergonhosamente é como podridão de seus ossos." Encontram-se em textos dos filósofos: Eurípedes (485-406 a.C.) toma Hipólito como seu alter ego e argumenta, ardoroso, que "a mulher é um flagelo desmedido que posso provar; o pai que a gera e cria estabelece um dote a quem a leve, a quem o livre de tamanha praga!"; já Virgílio (70-19 a.C.) define a mulher como sendo sempre "coisa variável e mutável". Ninguém menos que o renomado Montaigne (1533-1592) insiste em deixar às mulheres os afazeres domésticos: "A ciência e ocupação mais útil e honrosa para uma mulher é o governo da casa." E depois ele escreveria que o papel da mulher seria o de "sofrer, obedecer, consentir." Enquanto a História avança, Voltaire (1674-1778) invocava um argumento pseudo-biológico para explicar a "inferioridade" da mulher: "o sangue delas é mais aquoso." Risível é a História. Mais risível ainda é nossa predisposição a realçar os tropeções da História. E isso o formato Big Brother Brasil vem fazendo à larga.
A humanidade assemelha-se a um pássaro
E contra estes cânones do pensamento universal não precisaríamos reforçar percepções tão incorretas e injustas sobre a mulher, seu potencial, seus infinitos talentos, sua certeira inteligência e sempre presente intuição – aliás, é corrente adjetivar a intuição como uma faculdade inerente à mulher. Será que Boninho, o diretor-geral do BBB9, e sua equipe, não poderiam se dar ao castigo (sim, me parece que a esses gênios da raça pesquisar a história seria um trabalho muito longe de algo reputado como prazeroso) de inventar outras formas de entreter o público, mantendo os polpudos patrocínios amealhados com um programa que reforça o que há de mais ridículo na natureza humana, qual seja, criar estereótipos depreciativos da condição humana e reforçar atitudes e comportamentos de rebaixamento da mulher ante o homem?
Nunca é tarde para aprendermos que a humanidade assemelha-se a um pássaro; uma asa é o homem e outra asa é a mulher. Um pássaro não pode alçar vôo sem o equilíbrio das duas asas.

DEMos mexem com fogo e saem queimados

Do Blog do Melo

As pesquisas apontam que o presidente Lula tem a aprovação de aproximadamente 80% dos brasileiros. O Nordeste é a região onde Lula tem o maior índice. Pernambuco é seu estado natal. E foi exatamente em Pernambuco que alguém do DEM teve a “ideia genial” de começar uma caravana atacando as obras do PAC como eleitoreiras. Quase entraram no pau.
É o que informa reportagem de O Globo hoje, na página 10. O grupo era composto pelo presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), pelo líder na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), e três ex-governadores de Pernambuco: Roberto Magalhães, Gustavo Krause (que também já foram prefeitos de Recife) e José Mendonça Filho.
Um dos moradores, o estivador Moacir Brito Batista, de 52 anos, reagiu:
- Aí é tudo enganador. Quem começou as obras do canal foram eles e nunca terminaram. Comeram o dinheiro e disseram que a obra estava feita - gritava.
Ex-prefeito e ex-governador, com várias intervenções no bairro, Magalhães tentou tirar satisfações, mas foi contido. Outros moradores fizeram o mesmo tipo de queixa. O motorista aposentado Manoel Fernandes disse que há cerca de 20 anos o bairro está abandonado e culpou o PFL (antigo nome do DEM) por ter iniciado o canal e tê-lo deixado inacabado.